Valéria Santos, Renato Freitas e Mariele Franco: vítimas do estado racista e assassino!

14/09/2018

No início da noite do último domingo, Renato Freitas, jovem negro e candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores no estado do Paraná, foi violentamente repreendido e ferido pela Guarda Municipal no centro de Curitiba. Enquanto fazia panfletagem na Praça do Gaúcho, Renato e as pessoas ali presentes na praça foram surpreendidos pela presença repentina da guarda; Renato foi abordado de forma truculenta pelos guardas municipais e foi baleado com balas de borracha na mão e nas costas. Em seguida foi levado preso e durante duas horas os guardas impediram as visitas de familiares e advogados. Uma situação similar aconteceu em 2016, quando Renato Freitas foi abordado e agredido de forma violenta e detido sob a justificativa de desacato.

Como se não bastasse tamanho absurdo, no dia seguinte (segunda-feira) mais uma situação de racismo, no Rio de Janeiro, a advogada negra Valéria Lúcia foi algemada e retirada de forma violenta pela polícia de uma audiência enquanto defendia uma ré. Enquanto Valéria queria dar procedimento à audiência, a juíza Ethel de Vasconcelos deu por encerrada a sessão e impediu a advogada de exercer os seus direitos e trabalho. Sob uma postura autoritária e racista, a juíza ordenou à polícia que Valéria fosse retirada da sala, uma vez que esta se negava a se retirar enquanto não se desse continuidade a defesa. Em meio ao tumulto, nenhuma das pessoas e colegas presentes ousaram ajudar ou defender a advogada, que foi algemada e arrastada pela polícia enquanto exigia os seus direitos enquanto mulher negra e profissional.

Com essas e outras tantas situações, vemos como o Estado da burguesia, por meio do seu braço armado, escolhe suas  vítimas: basta ser ou parecer da classe trabalhadora, cuja maioria é negra. A justiça brasileira, portanto, caminha de mãos dadas com esse estado racista e genocida que criminaliza aqueles que ousam lutar contra as injustiças e mata os trabalhadores, principalmente os pretos. Exemplos disso são os casos como o de Rafael Braga, catador de latinhas e morador da periferia, que foi preso por portar uma garrafa de Pinho Sol e outra de água sanitária durante as manifestações de 2013. Naquele momento, a polícia alegava que ele usaria tais produtos como formas de produzir armas para os protestos. Assim como no caso de Renato, Rafael Braga foi abordado novamente na rua, enquanto estava sob regime semi-aberto, pela polícia militar. Ao se negar “delatar” situações de tráfico, foi acusado e condenado por tráfico de drogas.

O massacre e repressão sobre a nossa classe, majoritariamente negra, por parte dos patrões e seus governos é uma constante. No Brasil, a taxa de assassinatos e encarceramento da juventude pobre e negra da nossa classe só aumenta. Em estudo publicado pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostra os jovens negros como as principais vítimas de violência no país, isso fica incontestável. Mais de 318 mil jovens foram mortos no Brasil entre 2005 e 2015, dentro os quais os trabalhadores negros  possuem chances 23,5% maiores de serem mortos em relação aos não negros. A intervenção militar no Rio de Janeiro deste ano em específico e todos os super eventos à serviço da riqueza da burguesia (como a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016), mantém a classe trabalhadora do RIO em constantes confrontos e provoca um aumento grotesco de mortos e feridos dentro de comunidades onde reside a classe trabalhadora mais empobrecida e majoritariamente negra. O caso mais emblemático e recente é o de Mariele Franco, mulher negra e lésbica, militante pelo PSOL do Rio de Janeiro, atuava nas comunidades lutando pelos direitos humanos foi assassinada há mais de seis meses. Até agora não foram apontados os culpados. Claramente um assassinato político, a justiça não tem nenhum parecer definido até o momento e o tempo de investigação já supera o de outros casos parecidos.

O Brasil dos capitalistas mata seu futuro a bala. Infelizmente Mariele Franco é apenas um nome dentre muitos outros como Marcus Vinícios e Claudia Ferreira e às centenas e milhares de trabalhadores negros mortos por ano que nem nomes recebem pois são reduzidos a estatísticas. Em Mapa da Violência de 2014 com dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, revela-se que cerca de 30 mil jovens de classe trabalhadora entre 15 a 29 anos são assassinados por ano no Brasil, 77% dos quais sãos negros. São mais de 60 pessoas por dia, mais de um a cada 20 minutos.  Diante da conjuntura de crise econômica e agravamento das tensões políticas e sociais, resultando na maior ofensiva de retiradas de direitos e aumento da violência desde a ditadura militar, o estado do patrões criminaliza cada vez mais os movimentos sociais e elimina até mesmo fisicamente de lideranças na luta de classes. Mas como dizia um grande revolucionário negro, Fred Hampton, membro do Partido dos Panteras Negras: “Podem matar um revolucionário, mas nunca podem matar uma revolução!”.

O Coletivo Outros Outubros Virão chama à luta todo trabalhador e trabalhadora que acredita ser inaceitável o ataque dos patrões e governos aos direitos da classe trabalhadora. Seja relacionado à nossa condição de vida, trabalho e estudo como a Reforma Trabalhista, a Terceirização, Reforma da Previdência, BNCC, seja o assalto aos nossos direitos políticos e liberdades democráticas e todas as formas de agressão racista! Toda solidariedade às vítimas da violência racial do estado dos patrões e a polícia, seu braço armado!  Lutar é um direito e uma necessidade!

Contra o genocídio e encarceramento da classe trabalhadora negra!
Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Pelo direito à vida e à luta!
Nenhum direito a menos!
Firmes!

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NOTA DE APOIO CRÍTICO À CHAPA 3 “REVIRAVOLTA, UM CHAMADO À REBELIÃO”, CONCORRENTE AO PROCESSO ELEITORAL DO DCE-UFPR 2018/2019

28/08/2018

Nós, do coletivo Outros Outubros Virão, viemos através desta nota manifestar nosso apoio crítico à chapa 3 que concorre nas eleições 2018/2019 à direção executiva do Diretório Central Estudantil da UFPR: Reviravolta, um chamado à rebelião. Entendemos que o processo eleitoral do DCE é um momento de efervescência política dentro da universidade, sobretudo em um ano eleitoral da democracia burguesa, em que a política passa a ocupar maior relevância nos debates cotidianos – embora ela seja pano de fundo das relações sociais a todo momento. Não poderia ser diferente, dado que essa entidade do movimento estudantil pode cumprir um papel importantíssimo na organização dos estudantes em prol da construção da resistência aos ataques que a educação vem sofrendo, bem como na conquista de novos direitos. Afirmamos que essa entidade pode cumprir esse papel, mas nem sempre o faz, porque depende dos grupos políticos que ocupam esse espaço e da prática desenvolvida. Por isso, o DCE pode se converter em instrumento de retrocesso para a organização estudantil, descolado das bases da universidade, do movimento concreto e das necessidades reais dos estudantes. Nesse sentido, em uma eleição em que concorrem três chapas compostas por grupos políticos com linhas políticas diferentes, é de fundamental importância que realizemos uma análise sobre a situação, para assim construirmos esse processo da melhor maneira possível.

As chapas que fazem parte do processo eleitoral deste ano são: chapa 1 – Envolvimento: da unidade à esperança, formada por militantes do PT e PCdoB, além de independentes; chapa 2 – Enfrentar sem medo, formada por militantes do RUA, Juventude Comunista Avançando, e Resistência, junto com independentes ; e chapa 3 – Reviravolta, um chamado à rebelião, composta por militantes do PSTU, do coletivo Reviravolta e independentes. As chapas 1 e 2 concorrem à executiva e também aos conselhos superiores, enquanto a chapa 3 disputa apenas a direção executiva.

POR QUE NÃO COMPUSEMOS O PROCESSO ELEITORAL

É importante ressaltar que, enquanto coletivo, despendemos diversos esforços na tentativa de construção de uma chapa de unidade da esquerda para a disputa do processo. Para nós, o movimento estudantil da UFPR vem retrocedendo em diversos aspectos, como na capacidade de se mobilizar na universidade, de fazer frente aos ataques que sofremos, de apontar uma alternativa revolucionária para a crise política e econômica que ocorre a nível mundial hoje, bem como na contraposição aos projetos de conciliação de classes, tocados pelos pelegos do movimento estudantil ligados ao PT, PCdoB, e demais satélites. Essa contraposição também deve se dar no seio do movimento, ao passo que diversas organizações de esquerda pautam a refundação do mesmo projeto político que transformou essas organizações dos trabalhadores em organizações de gerenciamento dos interesses do capital, o chamado Projeto Democrático e Popular.

Assim, parece-nos uma irresponsabilidade tática a inexistência de tal chapa de unidade, com alguns consensos mínimos. É um problema tático pois fragmenta ainda mais o que já está transformado em pó, mina a capacidade de intervenção da esquerda na UFPR, que atualmente já é pouca, e dificulta a contraposição aos pelegos que ocuparam no último ano a direção do DCE. Não só as organizações que estão compondo chapas para o processo, mas também as organizações que decidiram por diversos outros motivos não construir chapas devem ser responsabilizadas por tal situação.

Entretanto, apesar de não compormos formalmente nenhuma chapa, não poderíamos nos ausentar desse momento importante para o movimento estudantil. Sendo assim, posicionamo-nos a favor da chapa que melhor responde às necessidades estudantis. Isso não significa que não temos críticas ao desenrolar do processo, como tentaremos expor a seguir.

QUAL A POLÍTICA DAS CHAPAS?

A chapa 1 é composta pelos mesmos grupos políticos, ligados ao PT e satélites, que formavam a gestão de 2018 do DCE da UFPR. Portanto, é a chapa de continuidade da gestão “O Rolê é Nosso”. É importante lembrar que em 2018 essa gestão não contribuiu para a organização da mobilização estudantil, teve uma política rebaixada em relação aos ataques que sofremos, fez conchavo atrás de conchavo com a reitoria da universidade. Vestiram uma máscara, em que muito se via a defesa da democracia burguesa e daqueles que a ocupam. Contudo, os espaços de discussão do movimento estudantil, os mais necessários para a construção da resistência nesses tempos de desmonte da educação, inexistiram. Como exemplo, não tivemos sequer uma assembleia geral estudantil da UFPR neste primeiro semestre de 2018 chamada pela gestão, ao passo que vários Conselhos de Entidades de Base foram realizados, com discussões burocráticas, descoladas das necessidades estudantis, com pouquíssimo debate político e servindo como argumento para a não realização de assembleias. Isso por si só mostra que a política da gestão passada e dessa chapa não está a favor dos reais interesses dos estudantes, mas sim na manutenção do estado de coisas, na continuidade das estruturas sociais, talvez um pouco menos “feias”, mais perfumadas, mas, em sua essência, as mesmas.

As propostas da chapa 1 também expressam a falta de centralidade na mobilização dos estudantes e na mudança social. Muito se fala sobre a conquista de direitos, e pouco se fala em lutar para garanti-los. Em tempos de retirada brutal de direitos, de piora das condições de vida, depositar as fichas para a garantia dos mesmos na estrutura do Estado burguês ou nas instâncias da universidade é um erro e um desserviço aos estudantes. A única saída para impedir a precarização da vida é através da luta organizada, coletiva e dirigida para a transformação de toda a sociedade, pois a universidade não é uma bolha à parte dos conflitos gerais da sociedade. Apoiar essa chapa é apoiar o retrocesso político e organizativo do movimento estudantil, é apoiar a entrega de nossos direitos de mão beijada para o capital e os governos de plantão, que buscam negociá-los como mercadorias.

A chapa 2, formada por organizações como a JCA, Resistência e RUA, aborda alguns tópicos importantes em sua carta programa,  como a necessidade de resistência contra os ataques que sofremos, o combate à LGBTfobia, ao machismo e ao racismo. Entretanto, observamos que a chapa não traz nenhuma crítica aos governos petistas, o que entendemos ser problemático, já que o PT é a expressão máxima da conciliação de classes no Brasil, com programas como o REUNI – que foi responsável por aumentar a estrutura das universidades, e abranger um número maior de alunos, ao mesmo tempo em que não ajustava os investimentos feitos na educação, ou seja, tinha mais gente na universidade, mas sem o devido aumento em investimentos – ou o FIES, programa de financiamento estudantil em universidades particulares, investindo, portanto, dinheiro na iniciativa privada ao invés do ensino público, entre outros. Se lembrarmos das últimas greves que vivenciamos nas universidades federais nos últimos anos, parte delas dizia respeito ao enfrentamento de medidas dos governos petistas, como a greve de 2012, a luta contra a EBSERH em 2014, e greve e ocupação de 2015.

Outra discordância que temos com a chapa é a questão do fomento das atividades esportivas por meio das atléticas. Essas organizações estudantis foram criadas em meio a ditadura militar, numa tentativa dos governos de desmobilizar o movimento estudantil promovendo grupos de prática de esporte como meio de socialização dos estudantes. Elas foram criadas, portanto, no sentido de enfraquecer a luta dentro das universidades, e entendemos que elas cumprem esse papel até hoje. É importante dizer, entretanto, que não discordamos da prática de esportes coletivos, e de como ela é, em certos momentos históricos, política. Porém, é na figura da Atlética que os estudantes tem se aglutinado atualmente, e não em espaços políticos como as assembleias, os CA’s, coletivos de curso e etc. É para o movimento estudantil que temos que girar nossas forças, exigindo da universidade as devidas condições para o desenvolvimento de atividades esportivas por aqueles que desejarem.

A chapa 3 pauta um programa de resistência aos ataques que viemos sofrendo nessa conjuntura, da necessidade de organizar os estudantes em conjunto com os trabalhadores para realizarmos o necessário enfrentamento, e assim garantir a manutenção de nossos direitos, o que se expressa em diversas pautas: a luta contra a BNCC, contra os cortes na CAPES, por melhores condições de moradia estudantil, por melhoria da segurança na universidade, por mais assistência estudantil, e que garanta a permanência dos estudantes na UFPR, pelo combate às opressões, contra as reformas trabalhista, da previdência, etc. É uma chapa que defende uma perspectiva revolucionária de análise da sociedade atual – sociedade de classes, onde impera o capital – bem como uma ação prática balizada por essa análise, que aponta para uma ruptura com esse modo de organização social. É nosso papel reforçar tal política na universidade. Entretanto, apesar desses acordos, mantemos algumas divergências com o programa da chapa, no que diz respeito à construção da ANEL e da CSP-CONLUTAS, enquanto entidades nacionais de organização estudantil e dos trabalhadores, respectivamente. Reconhecemos a necessidade de instrumentos amplos, de caráter geral, que contribuam com a reorganização do movimento estudantil a nível nacional, porém acreditamos que ambas entidades devam surgir a partir da construção histórica do conjunto da classe trabalhadora, a partir de suas possibilidades. Não é possível hoje a erigição de tais entidades, atreladas às bases e cumprindo seu papel proposto, dada a fragmentação que vivemos enquanto classe (que ainda se encontra sob as amarras de um projeto hegemônico conciliador), a falta de uma estratégia política revolucionária, e a conjuntura, que cada vez mais dificulta as possibilidades de militância, de vida e existência. A realidade do movimento estudantil é de retrocesso, pouca organicidade e dificuldade de construção de processos de luta amplos. Na UFPR, mais especificamente, muitos centros acadêmicos, coletivos de oposição e locais de estudo se perderam recentemente para a social-democracia ou para a direita. Na ordem do dia está a necessidade de retomada desses instrumentos e do acúmulo de forças nas bases para a esquerda.

Apesar da multiplicidade de chapas, com políticas distintas, do período de efervescência nacional, temos visto pouca ou nenhuma mobilização concreta nas bases estudantis em relação à eleição do DCE. Esse processo deve servir para o avanço da consciência dos estudantes em relação às pioras de suas condições de vida, da retirada de seus direitos, e, consequentemente, para sua ação organizada e coletiva. Assim, o trabalho de base se faz essencial para alcançar o conjunto estudantil, envolver a universidade no processo. É necessário avançar na compreensão enquanto esquerda do que esse momento significa, do que é necessário retomar e do que é necessário abandonar, e assim despontarmos na luta, mesmo num momento tão difícil.

Portanto, chamamos todos e todas as estudantes a participarem do processo eleitoral do DCE, e a votar na chapa 3 – Reviravolta, um chamado à rebelião, para direção executiva, nos dias 29 e 30 de agosto, mas além disso, chamamos todos e todas as estudantes a se somarem à luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade, que nenhum direito nos seja retirado, e que possamos construir, ao lado da classe trabalhadora, um novo mundo.


TODO APOIO AOS CAMINHONEIROS EM LUTA: PELA UNIFICAÇÃO DAS LUTAS E RUMO À GREVE GERAL!

29/05/2018

caminhão

Vivemos um momento crítico no país, com uma greve dos caminhoneiros que já dura 9 dias gerando crises de abastecimento nas cidades e pondo o já impopular governo Temer contra a parede. Devemos entender suas grandes contradições e disputar o rumo desse movimento para a esquerda.

MAS É UMA GREVE OU UM LOCAUTE?

Uma das polêmicas com relação ao movimento está centrada na maneira de caracterizá-lo. Greve ou locaute? O governo, na tentativa de deslegitimar todo o processo, caracteriza-o como locaute, ou seja, um movimento que partiria da recusa dos patrões a continuar o ritmo de trabalho, obrigando os trabalhadores a pararem suas funções para que desse modo os grandes empresários conseguissem pressionar o governo para estabelecer medidas beneficiando o empresariado. Parte da esquerda adere a essa tese, com algumas variações. Essa explicação é insuficiente e equivocada, uma vez que perde de vista a real complexidade do que está acontecendo.

As grandes transportadoras e o empresariado do ramo de fato possuem interesses com as paralisações. Para além da pressão pela diminuição do preço dos combustíveis, buscam também a redução dos direitos trabalhistas e a isenção fiscal, representada pela reivindicação para que o governo desonere o patronato do pagamento do PIS e Cofins (importantes impostos destinados à seguridade social, à saúde, previdência, entre outras áreas). Alguns setores de caminhoneiros acabam também absorvendo essas pautas por meio da cooptação da ideologia burguesa que, embora seja responsável pela deterioração da vida dos trabalhadores e da crise em que vivemos, busca se apresentar como saída para ela, assim como alguns autônomos tem interesse em desregulamentar seu trabalho, podendo aumentar seus ganhos. A direita, oportunista, tenta tomar a frente do movimento a partir das ideias econômicas liberais – representadas pela pauta de reforma da carga tributária, que na prática demanda que se diminuam os impostos pagos por empresários e banqueiros, e não se altere a parcela alta paga pelos trabalhadores – e da agenda política autoritária (expressa nos pedidos de intervenção militar), que, na verdade, caminham juntas. Isso não significa, contudo, que as pautas da classe trabalhadora não estejam também inseridas entre os caminhoneiros.

O QUE OS ESTUDANTES TÊM A VER COM ISSO?

O impacto das paralisações atinge inúmeros setores da sociedade, inclusive as universidades. Muitas delas já suspenderam suas aulas. Para nós, importa compreender como estamos diretamente relacionados às lutas dos trabalhadores. A luta por melhores condições de vida entre a classe trabalhadora é, também, uma luta pela vida dos estudantes, pela permanência estudantil e pela manutenção da universidade pública. Nossos restaurantes universitários, nossa limpeza, nossa segurança, enfim, tudo está conectado nesse todo. Precisamos nos colocar em movimento, discutindo todas essas questões coletivamente, atuando sobre a realidade, transformando-a.

Nesse momento de crise, não é em apenas uma área ou setor que os ataques se direcionam. Exemplos não nos faltam: reforma da previdência, reforma trabalhista, privatização de empresas públicas, congelamento dos gastos com serviços sociais, proposta de acabar com o SUS. E em nosso campo mais imediato a precarização da educação pública, sentida através do corte nas políticas de permanência e assistência estudantil, corte nas bolsas de pesquisa e extensão, falta de professores e sobrecarga dos que ali estão, precarização das condições de trabalho das terceirizadas. Essa greve que hoje vemos, carrega em si a expressão desse momento, a burguesia avançando em suas políticas para aumentar os lucros – seja o governo, seja os donos das transportadoras que hoje paralisam – e a classe trabalhadora sentindo essas contradições construindo formas de resistência.

ESSA GREVE INTERESSA AOS DEMAIS TRABALHADORES?

Um dos motes principais da greve, o aumento do preço do óleo diesel, expressa um debate de fundo sobre a política econômica tocada pelo atual governo e as propostas recorrentes de privatização da Petrobras. Nesse momento de crise do capital, a burguesia estrangeira e também a brasileira e seus aparelhos de governo precisam fomentar mecanismos para aumentarem os lucros. No ano passado, a política de preços adotada pela empresa, sob direção do burguês Pedro Parente, determina o preço do petróleo em relação à oscilação internacional do dólar. Garantido aplausos do mercado internacional, pois viam uma enorme vantagem na venda dos combustíveis refinados ao Brasil. Esse processo se soma à tão alardeada proposta de privatização de diversas empresas estatais, na qual a Petrobras é uma delas. No governo FHC houve a abertura de capital da empresa na Bolsa de Valores, garantindo uma maior porcentagem ao Estado, porém parte dela poderia ser vendida. Política que se manteve nos governos Lula e Dilma/PT, e se acentua no governo Temer/MDB, em que se objetiva acentuar o processo de privatização da petroleira. O que nós vemos, portanto, é uma política oposta aos interesses dos trabalhadores, cabendo à nossa classe a resistência contra mais esse ataque.

Esses trabalhadores caminhoneiros, que se dividem em dois grandes grupos de acordo com o caráter do seu trabalho (autônomos e assalariados), de modo geral, fazem parte de um processo que abarca a nossa classe como um todo, que é a luta por melhores condições de vida. A diminuição dos preços dos combustíveis está diretamente ligada a isso, uma vez que uma série de outras mercadorias e serviços dependem do diesel, da gasolina, do gás, etc. É preciso entender, portanto, que há duas dimensões que se relacionam e conflitam entre si na greve dos caminhoneiros: a pressão da burguesia, representada pelas grandes transportadoras e empresariado, e os trabalhadores em luta com as pautas da classe. Seria um equívoco, portanto, ignorar essa disputa e colocar-se fora dela.

INTERVENÇÃO MILITAR NÃO É A SOLUÇÃO!

Observamos no movimento chamados por uma intervenção militar. Sabemos que isso não representa ao movimento todo e não retira a justeza da pauta. No entanto, intervenção militar não pode ser vista como alternativa aos problemas da crise. Ela representa uma alternativa falha que não é capaz de responder às reivindicações dos trabalhadores e representa somente mais atraso, desemprego, piora nas condições de vida e violência contra aqueles que lutam. Foi durante a ditadura que, além de todos os crimes de tortura, alienação cultural do povo, a corrupção correu solta e sem que se pudesse denunciá-la ou combatê-la. Por isso, não devemos ter ilusões nas eleições ou no exército. A única saída é a organização dos trabalhadores.

QUEM MANDA AQUI, O  ESTADO OU OS TRABALHADORES?

O desabastecimento escancara algo fundamental: o papel do Estado. Este é um instrumento de dominação e agente burguês na condução das políticas econômicas; fortalecendo e ampliando a repressão aos trabalhadores; e garantindo a manutenção da desigualdade e da exploração. Além disso, o movimento demonstra na prática que a classe trabalhadora é a verdadeira responsável por manter toda a sociedade funcionando. E, por consequência, é a única capaz de alterar as estruturas sociais, construindo, organizadamente, uma sociedade livre da exploração.

RUMO À GREVE GERAL!

Na noite do dia 27/05, o movimento dos caminhoneiros obteve respostas de algumas pautas, com direito a pronunciamento nacional de Temer. Essas “conquistas” giram em torno das demandas do setor autônomo, são elas: desconto no preço do diesel de 0,46 centavos; isenção de cobrança nos pedágios dos eixos suspenso; determinação para que 30% dos fretes realizados pela Conab (companhia nacional de abastecimento) sejam realizados por autônomos; estabelecimento de um preço mínimo dos fretes. De forma geral, podemos perceber que essas pautas refletem algumas demandas dos caminhoneiros, mas acabam por refletir de fato na precarização das condições de vida da classe como um todo. Por exemplo, o desconto oferecido no preço do diesel vem a partir da retirada do tributo PIS-COFINS, o qual é revertido na manutenção de serviços sociais. Ou seja, a burguesia e seus lacaios propõe novamente que a conta dessa crise e dessas mudanças sejam colocadas na conta dos trabalhadores.

Em decorrência dessas respostas, o objetivo do governo era um esgotamento do movimento grevista e voltar à normalidade. Porém, não é bem isso que a realidade nos mostra. No dia de ontem (28/05) o número de estradas ocupadas se mantinha alto; diversas organizações dos caminhoneiros, principalmente dos trabalhadores autônomos afirmava que o movimento se manteria, pois queriam obter outras pautas ainda, como a redução do preço da gasolina e gás de cozinha. E o apoio ao movimento se mantém crescente. Com isso podemos perceber que esse movimento, que se inicia como uma luta dos caminhoneiros, se soma com um grau geral de insatisfação com a piora das condições de vida da classe trabalhadora, tomando uma proporção maior do que se propunha inicialmente.

Neste cenário, é necessários nos somarmos em defesa da classe trabalhadora contra os ataques e piora das condições de vida, construindo um horizonte classista para essa luta. Outras lutas já despontam em nosso país, como os professores particulares em SP, metalúrgicos no ABC, a greve dos petroleiros, e de outras categorias que tem se elevado em solidariedade aos caminhoneiros e em resistência pelas pautas da classe trabalhadora. Cabe a nós nos somarmos nessa resistência, fortalecendo a luta da classe pelo fortalecimento das lutas dentro das universidades, de forma a avançarmos na construção de uma GREVE GERAL!

SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES CAMINHONEIROS EM LUTA!

POR UMA PETROBRÁS 100% PÚBLICA A SERVIÇO E SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES!

PELA MELHORA DAS CONDIÇÕES DE VIDA DA CLASSE TRABALHADORA!

CONTRA OS ATAQUES DE TEMER, GREVE GERAL JÁ!

 


Resistência contra os ataques à educação pública! Todo apoio à chapa 1 ANDES AUTÔNOMO E DE LUTA!

09/05/2018

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Ocorre, hoje e amanhã, uma eleição para o Sindicato Nacional de professores do Ensino Superior. Muito antes de ser algo estranho a nós, estudantes, nós do Outros Outubros Virão pensamos que devemos ter atenção a esse processo! Afinal de contas, existe atividade estudantil sem atividade docente? É possível dissociar as condições de ensino (ou seja, de trabalho) das condições de estudo? Pensamos que não. Assim, não é irrelevante quais chapas se colocam nesse processo eleitoral para nós.

Reforma da previdência, reforma trabalhista, terceirização, congelamento dos gastos públicos, corte das verbas da educação, de pesquisa e extensão, falta de professores, corte e atraso nas bolsas estudantis. Todas essas são notícias que ouvimos e problemas que sentimos na pele todos os dias, se expressando ora num plano mais específico entre os trabalhadores e estudantes do ensino superior, ora num plano geral de todos os trabalhadores brasileiros.

Avançar contra esses ataques, garantir os direitos da classe trabalhadora à uma Educação Pública de qualidade passa pela resistência conjunta de todas as categorias da comunidade universitária. Vemos que a Chapa 1 ANDES AUTÔNOMO E DE LUTA demonstra essa organização militante e autônoma, necessária em uma conjuntura marcada por grandes ataques à classe trabalhadora; a continuidade da mobilização da categoria faz parte da necessidade para ampliarmos conquistas em todos os setores da Universidade Pública.

A Chapa 1 na disputa eleitoral do ANDES-SN (biênio 2018/2020) é um grupo que nos últimos períodos têm construído as lutas em defesa da universidade pública. Expressão direta da organização dos professores em luta pela manutenção de uma universidade autônoma, os membros e grupos que compõem essa chapa estão firmes na posição de barrar os ataques sobre as condições de trabalho da categoria e sobre a própria sobrevivência da educação pública.

Neste sentido, apoiamos a chapa 1 ANDES AUTÔNOMO E DE LUTA por um sindicato de lutas e independente dos governos, partidos e administrações. Por um fortalecimento da cooperação entre as quatro categorias que compõem a Universidade para uma Luta coesa e Firme na direção da defesa das universidades públicas, dos institutos federais e cefets.

UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA 100% GRATUITA SE FAZ COM LUTA E RESISTÊNCIA!

POR NENHUM DIREITO A MENOS!


| Dia do Trabalhador é dia de LUTA! |

01/05/2018

No final do século XIX, a 2ª Internacional Socialista decide transformar a data 1 de maio em um dia de luta pela redução da jornada. Essa escolha buscou homenagear os operários de Chicago, que foram duramente reprimidos durante uma greve que reivindicava a jornada de 8 horas. É a resistência dos trabalhadores ao longo dos séculos que deve inspirar a nossa luta diária em defesa de nossos direitos e na transformação dessa sociedade! Firmes!

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