Alunos de Design protestam por reforma no 12° andar da Reitoria

Com apitos, panelas e uma lona pintada que ocupava seis andares do prédio Dom Pedro I da Reitoria, os alunos de Design da UFPR protestaram na última sexta-feira (23) para pedir a reforma do 12° andar. O local, onde deveria funcionar um espaço para as disciplinas práticas, está interditado devido à falta de estrutura. O principal argumento dos alunos para a realização do protesto é que já existe uma verba de R$ 300 mil reais destinada para a reforma, mas a obra ainda não foi iniciada.

De acordo com a chefe do departatamento de Design, professora Dulce Fernandes, o espaço recebeu máquinas de marcenaria e outros equipamentos em 1976, quando ela ainda era aluna. Depois, passou por uma uma pequena obra de ampliação em 1990, quando ela estava na chefia de departamento. Desde então, nunca mais foi reformado. “Já existe uma solicitação de cerca de dois ou três anos. Assim que assumi a chefia, ano passado, decidi organizar um projeto, que já está pronto desde março, aprovado em todas as instâncias, mas não começa”, afirma Dulce.

A grande preocupação dos alunos e dos professores é em relação aos prazos. A chefe de departamento explica que as licitações precisam iniciar esse ano, pois existe a possibilidade dos recursos financeiros serem recolhidos ou investidos para outra obra. “O mais importante é que, se tem algo errado nas solicitações alguém nos aponte o erro para refazermos. Se a reforma não acontecer, a Reitoria terá que arranjar um outro lugar para que os alunos possam trabalhar”, reforça.

Depois de muito barulho do alunos, a Prefeitura Universitária reconheceu que o andar precisa passar por obras. No entanto, as intervenções só devem começar no início de 2010, por causa da burocracia que envolve esse tipo de licitação.

Estrutura do curso

“Somos considerados um dos melhores cursos de Design do Brasil, temos excelentes professores, boas salas de aula, mas não possuimos um local apropriado para que os alunos realizem as atividades práticas”, afirma o coordenador do curso Ken Flávio Ono Fonseca. Segundo ele, o aprendizado é prejudicado, pois os estudantes não possuem um espaço adequado para essas práticas em casa. Outro problema é a falta de contato entre os alunos, já que, para Fonseca, aprende-se muito ao ver o trabalho dos outros colegas, com o compartilhamento de informações. “Existem duas áreas no conhecimento, o explícito e o tácito. Enquanto o primeiro trabalha a parte teórica, o outro é fundamentado no prático. E o design utiliza-se muito dessa segunda área”, completa.

Aluno do curso e membro do Centro Acadêmico de Design (Cadi), Félix Varejão comenta sobre essa dificuldade. “Nós utilizamos alguns materiais tóxicos, que fazem muita sujeira como acrílico, cerâmica, e precisamos de um local adequado para manusear”. Com relação aos espaços de sala de aula, Varejão destaca a boa estrutura.

Organização

“Através de e-mails, trocamos ideias sobre estratégias para mostrar à comunidade acadêmica nosso problema”, explica Varejão. A partir desse objetivo, os membros do Cadi decidiram que somente um manifesto não seria o sufuciente. Ele conta que os alunos optaram por intervenções nos elevadores e protesto com muito barulho para realmente chamar atenção. “A proposta de colocar o número 12 em todos os andares nos elevadores é para demonstrar a importância da reforma inclusive para as outras pessoas que utilizam o prédio já que, por conta dos problemas no teto do 12° andar um elevador já parou de funcionar, algumas salas estão com infiltração e o 11° ficou alagado”, relata.

O estudante conta que em uma semana o Cadi organizou tudo, passou nas salas para reforçar a ideia entre os alunos e contou com o apoio dos professores, já que eles também são prejudicados com a demora no início das obras.

Bons resultados

“Foi um dia emocionante”, salienta Varejão. Com a participação de cerca de 150 alunos, inclusive alguns de cursos como História e Ciências Sociais, o protesto surtiu o efeito desejado pelos organizadores: chamar a atenção de todos para o problema no 12° andar. Depois da manifestação, alunos e professores de Design se reuniram com o vice-reitor, Rogério Mulinari, a Pró Reitora de Assuntos Estudantis, Rita de Cássia Lopes, e o prefeito da Cidade Universitária, Ernesto Sperandio para tratar do assunto.

De acordo com Rita, o protesto foi muito organizado e produtivo, importante para apresentar as reivindicações dos alunos e também para esclarecer os problemas quanto às datas. “O prefeito esclareceu sobre o processo e afirmou que até novembro as licitações estão prontas e o edital pode ser aberto”, diz. Varejão comenta que a audiência serviu para acertar prazos e entender um pouco da burocratização, já que os alunos não estão familiarizados com essas questões.

“Falta entendimento por parte dos alunos sobre o andamento do processo, das etapas necessárias para a realização desse tipo de obra”, diz a pró-reitora. Mas ela garante que não há riscos de a reforma não acontecer. “O prefeito afirmou que o início das obras deve ocorrer em janeiro, com tempo previsto de 90 dias”, finaliza.

Confira um ensaio fotográfico sobre o protesto na Galeria Comunicação

Fonte: Jornal Comunicação
Reportagem de Ana Cláudia Chichon e edição de Amanda Menezes

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