Políticas defendidas pela nova sede da DENEM

Olá a todos,

Essa discussão que iniciou há uma semana começou com uma vertente nada saudável para o movimento estudantil de medicina (MEM), pressupostos de uma suposta direção do PSTU/ PSOL na DENEM, partido ou não partido, ataques pessoais… Um preconceito raso e infundado está muito longe de um debate qualificado sobre quais são e devem ser os rumos do MEM. Vemos que a discussão agora tomou um sentido interessante, discutir as concepções e propostas que a DENEM traz para o movimento e o posicionamento da sede.

Primeiramente gostaríamos de esclarecer que a gestão da DENEM eleita no COBREM são de 31 pessoas (envolvendo Coordenações Regionais, CREX, Coordenações de Área e Sede). Portanto, quem está à frente da executiva não é apenas a sede administrativa. Dentro da Gestão, que é eleita por delegados no COBREM de forma independente, temos militantes organizados em diferentes partidos e também não organizados.

A nossa concepção é de que o movimento estudantil (ME) não é algo homogêneo, onde todos pensam igual e lutam pelas mesmas coisas da mesma forma. Entendemos o ME enquanto movimento social e como tal possui grupos e pessoas com várias divergências, algumas profundas, outras nem tanto. E isso não é bom, nem ruim, é um fato. Essas diferenças nada mais são do que a materialização das contradições da sociedade na Universidade. Assim como no todo social, existem grupamentos, mesmo que não organizados, que defendem mais ou menos os mesmos interesses. Por exemplo, temos o grupo dos indiferentes em todo lugar, temos aqueles que só se preocupam com a qualidade da sua formação, existem os estudantes que são contra a política e se opõem a todo ME e existem os que participam do CA/DA, se envolvem na política. Podemos dizer que, mesmo não estando em um partido oficialmente, cada grupo defende um conjunto de idéias e interesses, ainda que com uma aparente independência, mas que são comuns e se articulam entre si. Com partidos é a mesma coisa, porém é mais evidente para todos.

Uma vez que há divergências na sociedade e os grupos diferentes estão aí agindo (conscientemente ou não), é necessário acima de tudo nos posicionarmos claramente em que lado da luta estamos. Existem certos pressupostos dos quais não abrimos mão, como por exemplo, o direito de que todos possam estudar gratuitamente numa universidade de qualidade, o direito a uma saúde pública de qualidade a todos, o direito de termos o preceptor no internato nos orientando, de termos infra estrutura adequada para as aulas, de termos uma formação voltada para melhorar as condições da sociedade, etc. Conforme vamos nos deparando com os problemas nas nossas faculdades, vamos tentando entender os porquês. E para isso é necessário uma boa dose de estudo na compreensão das forças presentes na sociedade e como elas agem. Por exemplo: os interesses dos empresários de Planos de Saúde, Hospitais, Indústria farmacêutica, etc são antagônicos a uma saúde publica de qualidade e gratuita. Mesma coisa na educação. Os interesses dos empresários de faculdades particulares são opostos a uma educação pública universal. Mas agora, como isso acontece na prática? Em quais momentos? Como mudar?

Frente a isso, enquanto futuros trabalhadores de saúde, nos posicionamos ao lado da classe trabalhadora, por entender que é essa classe que historicamente tem feito as lutas para ampliar direitos em todas as áreas da vida humana. E, compreendendo o ME não como um clube, mas como um agente de transformação social, precisamos usar as ferramentas que mais potencializaram as lutas sociais nos últimos anos.  Precisamos entender como a saúde, educação, Estado, sociedade se organizam para poder planejar nossas ações. Por isso, defendemos o materialismo histórico dialético de Marx e Engels, exatamente por ser a filosofia da práxis, ou seja, não é só teoria, envolve organização e ação.

Agora, tudo isso não se faz sem uma inserção real na base dos estudantes. Defendemos que o MEM deve buscar cada vez mais se colocar ao lado das lutas cotidianas e apresentar uma opinião qualificada para o conjunto dos estudantes. Por isso que a prioridade dos militantes deve ser sempre o CA/DA. Só quando esse estiver melhor consolidado podemos alçar novos horizontes. De nada adianta termos uma direção, ou uma entidade, que imponhas as decisões para o movimento estudantil. É óbvio que quem está a frente do movimento tem maior responsabilidade em apresentar uma opinião, porém o conjunto das políticas de uma entidade e nisso se inclui a DENEM são construídos nos fóruns deliberativos do movimento de medicina.

Trazendo isso para a nossa coordenação local, o DANC tem construído uma luta exatamente nesse sentido. No COBEM em Curitiba, organizamos um ato para questionar o privado na saúde. Estamos fazendo um trabalho de base para lutar por melhorias no nosso curso, como em uma das nossas disciplinas na qual faltaram materiais para aula e que nos manifestamos publicamente e organizadamente. Fomos eleitos com uma legitimidade de 398 votos em uma votação em que 80 % dos estudantes do curso votaram. Foi isso que nos impulsionou à possibilidade de estar na sede da DENEM em 2010.

Para 2010 temos pautas importantes a serem tocadas. Temos a lei dos estágios, que nos traz a reflexão sobre a exploração do trabalho do interno e da sua qualidade de vida; tem a questão do ato médico, que deve ser analisada sob a luz da divisão na luta dos trabalhadores da saúde; Enade/SINAES, como instrumento de avaliação punitivo e ranqueador que não responsabiliza o Estado como provedor da educação; precisamos avançar na discussão crítica das novas diretrizes curriculares; temos a luta para a redução das mensalidades; contra o Exame de Ordem; por mais verbas para os HUs; temos que aprofundar como as pessoas adoecem através das relações de trabalho e como o conceito de saúde bio-psico-scoial é limitado para explicar o processo saúde-doença. Enfim, pautas que foram deliberadas no COBREM e que temos muita vontade de consolidar ao longo do ano.

Porém, todas essas questões passam pela discussão das possibilidades de realizar o nosso desejo de universidade, educação, saúde, etc sob os marcos do capitalismo. Ainda vemos como atualizado, colocarmos na ordem do dia o debate de um outro modelo societário, pois a cada dia que passa vemos como isso tem determinado as nossas bandeiras na medicina.

Estamos abertos sempre a discutir e esclarecer todos os questionamentos e eventuais dúvidas em relação à sede 2010 e convidamos a todos a construir um movimento estudantil de medicina forte e combativo!

Saudações Estudantis

Luiz Guilherme de Souza – Coordenação Geral

Estudante de medicina – UFPR
Membro do DANC
Coletivo Outros Outubros Virão
Luta Socialista

Rafael Farias Golemba – Coordenação de Finanças

Estudantes de medicina – UFPR
Membro do DANC

Lucas S. Mion – Coordenação de Comunicação

Estudantes de medicina – UFPR
Membro do DANC

Sede DENEM 2010 – DANC / UFPR

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