Nota do CAASO sobre a PM no campus

Em maio de 2011 um aluno foi assassinado dentro da USP. Um fato desses representa o máximo suportável da imensa falta de segurança dentro do campus de São Paulo. Assaltos e furtos ocorrem à luz do dia e a segurança universitária era insuficiente em efetivo, em equipamento e também em treinamento.

É nesse contexto onde o medo faz parte do cotidiano dos estudantes, que o atual reitor Rodas fez um acordo com a polícia para uma maior atuação da Polícia Militar dentro dos campi. No começo de 2011, a polícia militar começou a se instalar na USP e em setembro foi fechado o convênio. Muitos aplaudiram a medida, pois a guarda traria segurança numa hora de necessidade. Muito porém é necessária a reflexão quanto as atitudes tomadas pelo Rodas, pela PM e pelos estudantes.

Apesar da mídia publicar que a polícia estava cumprindo seu papel prendendo os estudantes por porte de drogas, sabemos que esse não é o real motivo pelo qual a PM atua no campus. É fato que houve uma diminuição da violência na Cidade Universitária, afinal a presença da PM é algo intimidador aos criminosos. No entanto, não podemos esquecer que a atuação desses PMs designados para a cidade universitária tem sua ação restrita ao próprio campus, e na mesma proporção que a criminalidade reduziu dentro destes muros, aumentou muito nas proximidades. Um exemplo disso é o que aconteceu com a estudante Camila Fernandes da Silva, 22, que foi assaltada e baleada ao sair da USP. Assim, portanto, devemos fazer o debate sobre segurança pública. Ao propor resoluções dos problemas referentes à violência, a única medida tomada pelo reitor após a morte do estudante da FEA foi permitir a entrada da PM na Universidade. Os reais problemas seguem sem solução: Ruas mal iluminadas, espaços vazios sem circulação, ausência da guarda do campus, enfim, todos os problemas gerados por um projeto urbanístico não superado. Até mesmo duas estações de metrô que foram planejadas para serem construídas dentro da cidade universitária foram vetadas pela reitoria; estações, estas, que aumentariam a circulação de pessoas dentro do campus, a segurança, a facilidade de acesso aos milhares de pessoas que por lá circulam, e que devido a estas medidas devem andar por mais de um quilômetro para ir da estação Butantã de metrô até a USP.

A polícia militar está presente nos campi, sobretudo em São Paulo, para reprimir qualquer tipo de movimentação estudantil. Ela está munida de armas, enquanto os alunos não. Da mesma maneira que em 2009, estudantes desarmados em passeata pacífica foram baleados com borracha e bombas de efeito moral, agora a história se repete uma vez mais.

Não poderíamos ver desfecho diferente: a ação exagerada de ocupar a reitoria e a resposta violenta e descabida, autoritária tanto do reitor quanto dos policiais contra os alunos mostra a extrema ausência de diálogo que reina na USP. O uso de 400 policiais, cavalaria, tropa de choque, sitiamento, recursos extremamente violentos contra 72 estudantes dentre os quais 24 eram garotas mostram como a PM é utilizada como braço de força do reitor, e consequentemente, como extensão do governo do estado que escolheu a dedo um reitor que foi o responsável pela primeira ação da polícia militar dentro da USP desde a ditadura militar.

Não podemos aceitar a criminalização de nenhum estudante, professor ou funcionário da USP ou de qualquer outra entidade de ensino por mobilizações de cunho social e político, por expressarem suas injurias contra a administração do ambiente em que vivem pelos motivos apresentados pela reitoria e polícia militar.

Portanto a Gestão Maior se posiciona contra o modelo de policiamento militar apresentado pelo reitor Rodas. Além disso, também se posiciona contra o modelo anterior no qual a insegurança e o medo eram constantes. Exigimos maior segurança por meio de soluções já sugeridas nesta nota e também na de outros CAs. Também apoiamos a renúncia do reitor João

Grandino Rodas, uma vez que suas ações explicitam má administração da universidade além de posições políticas que não nos representam.

Centro Acadêmico Armando Salles Oliveira

USP São Carlos, novembro de 2011

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