Nota de repúdio à atitude da coordenadora do curso de Ciências Sociais da UFPR

Os estudantes de ciências sociais da UFPR reunidos em assembleia, no dia 23 de maio de 2012, tendo como pauta, a greve dos professores e o posicionamento estudantil, se depara com uma inusitada situação, na frente de todos os presentes, a coordenadora do curso ameaça processar um estudante!

O Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) convidou a coordenadora do curso, Prof. Marlene Tamanini, para esclarecer sua posição, com o debate acumulado na reunião de colegiado, em relação à este momento de greve e sobre questões administrativas do curso. Esteve presente, também, na composição da mesa da assembleia o Prof. Ricardo Costa, representando o Comando de Mobilização da greve dos professores. A relatoria na íntegra pode ser vista no blog dos estudantes de Ciências Sociais.

Em um primeiro momento da assembleia, a mesa decidiu que seria o espaço para a nossa coordenadora expor o que já haviam debatido no curso a respeito da greve, e para o Prof. Ricardo explicar como se dá o processo de greve dos professores, suas pautas e suas implicações. Após isso seria aberto para perguntas aos dois.

Após o término da fala da coordenadora, enquanto o Prof. Ricardo fazia sua fala ele foi interrompido pela Prof. Marlene inapropriadamente, pois a sua vez de falar já havia terminado sem interrupções. Diante desta interrupção, vários participantes da assembleia se manifestaram com o intuito de manter a ordem e o bom funcionamento da assembleia e para garantir o direito de fala sem interrupções aos participantes. A reação da coordenadora em relação à manifestação da plateia foi extremamente exagerada, levantou da mesa, disse que iria se retirar, falou alto, e chegou ao cúmulo de ameaçar de abertura de um processo disciplinar contra um dos estudantes presentes na assembleia, pelo fato de ele ter sido mais enfático ao pedir que ela respeitasse a fala do Prof. Ricardo. Depois de todos insistirem, inclusive o aluno em questão, que ela voltasse a mesa para terminarmos a primeira parte da assembleia, ela aceitou e ficou por mais um pequeno período na assembleia.

Nós não aceitaremos que nenhum estudante seja vítima de represálias por se manifestar por uma questão de ordem durante a assembleia (estudantil, diga-se de passagem). Este tipo de ameaça não é a atitude esperada num momento em que a liberdade de expressão está tão amplamente difundida, onde devemos incentivar a participação política dos estudantes, professores, técnico-administrativos, terceirizados, etc. Esta situação se apresenta ainda mais grave quando se trata de uma professora de Ciências Sociais, com um grande conhecimento teórico acumulado por anos de estudos e publicações, que certamente conhece aprofundadamente a luta pelas conquistas democráticas que passaram os trabalhadores.

Entendemos que a reação da professora foi um exagero momentâneo e que, num segundo momento, refletindo a respeito, perceberá o exagero de sua atitude, mas se a ameaça de processo se cumprir, o movimento estudantil não medirá esforços para reverter esta situação. Temos certeza que não estaremos sozinhos nesta luta, e todos aqueles que concordam com a participação política dos estudantes em seus processos de luta, empunharão juntos esta bandeira.

Contra toda perseguição aos estudantes que lutam

Que os estudantes não se curvem frente as ameaças

Nota aprovada por consenso em assembleia dos estudantes de Ciências Sociais da UFPR,

Curitiba, quarta-feira, 23/05/2012.

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