Os Burocratas – Representantes do Movimento Estudantil Parte IV: O Chá Das Comadre

A greve estudantil avança no Brasil inteiro com mais universidades entrando no processo. Viemos construindo nas últimas semanas o nosso comando nacional com delegados eleitos em assembleias das universidades em greve.

Na UFPR, para deliberarmos nossa greve, tivemos que superar a velha forma do Ministério do Movimento Estudantil, habitado na gestão do DCE UFPR,  que tentou de artimanhas diversas para impedir a luta direta dos estudantes.

Esta segunda, dia 26 de Junho, enquanto o Comando Nacional de Greve dos estudantes protocolava o ofício para iniciar as negociações com o governo, tivemos o desprazer de presenciar o encontro de comadres celebrado entre o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Movimento Estudantil (UNE).

Nesse encontro, onde cada parte do governo elogiava seus próprios trabalhos, ficou muito clara a incapacidade desses senhores e senhoras de pensar para fora de seus cargos representativos burocratas. Ao final da reunião, Aloizio Mercadante declarou: “só negocio com a UNE”.

Nisso não há surpresa alguma. É óbvio que o governo só vai querer negociar com o próprio governo e não com quem está em greve contra o governo!

Pois bem, senhor, negocie a vontade com seus comparsas, mas se não negociar com os estudantes do Brasil, a greve não para!

A proposta de negociação da UNE

A UNE, sem pudor de ignorar as pautas retiradas em assembleias locais e elencadas no comando nacional de greve,   passou a negociar com o governo as pautas deliberadas pelo CONEG (conselho nacional de entidades gerais – DCE’s e executivas de curso). A comissão de negociação da UNE é composta por sua direção executiva, direções estaduais e representantes dos DCE’s.

Adivinhem: o DCE UFPR está entre eles, é claro. Se propondo a negociar pelos estudantes da UFPR, enquanto nós já decidimos lutar por nós mesmos!

Não contentes em se retirar da construção do movimento grevista na UFPR (por não ser a forma que defendem de fazer movimento), resolveram atropelar a decisão tirada em assembleia!

O Novo se enfrenta com o velho carcomido

Depois de muitos anos subjugados pelas políticas educacionais do Estado, os estudantes ousam novamente se levantar e tomar as rédeas de suas vidas.

Nossa atual greve já avança em questões para além das nossas reivindicações imediatas. A forma como construímos local e nacionalmente é em si uma conquista.

Os comandos de greve da UFPR, por exemplo. Apesar de algumas dificuldades, como o travamento de reuniões em torno de falsas polêmicas e/ou debates infrutíferos, eles tem sido ferramenta crucial na construção do movimento local e da articulação das ações entre os cursos e as categorias, independente das entidades representativas dos estudantes (DCE e C.A.’s).

A própria postura da Reitoria também é uma conquista. Se antes a atitude era barrar as nossas movimentações, como em 2005 e 2007, com processos jurídicos e polícia federal, hoje age diferente diante de nossas mobilizações. Não é por acaso. O avanço na qualidade e organização do movimento é a causa  dessas conquistas.

O simples fato de que quem decide o que acontece com a greve são os próprios estudantes mobilizados e não os burocratas-representantes, que quem decide a sua estrutura organizativa somos nós mesmos, e não os estatutos amarelados,  que quem decide o conteúdo de nossas reivindicações somos nós mesmos, e não os projetos partidários governistas, demonstra avanços monumentais para o movimento estudantil.

Essa forma fortalece nossa autonomia como força organizada da sociedade, nossos laços de solidariedade coletiva possibilitam conquistas superiores, não somente momentâneas, mas também para o futuro.

Abrimos a possibilidade de deixar de nos preocuparmos somente com o resultado (conquistas concretas) da greve, para passar a nos preocuparmos também com o seu processo (acúmulo qualitativo e organizativo do movimento). Com isso, modificamos um comportamento político – não a política dos engravatados, mas a política cotidiana – no qual nós conduzimos nossos próprios destinos diretamente, não delegando poderes aos burocratas.

Ninguém fala por nós senão nós mesmos! Mas esse avanço não se dá sem grandes dificuldades. Temos de enfrentar todos os dias aqueles que querem que tudo permaneça como está. O novo se enfrenta com o velho carcomido!

Participe: Ato público contra as prioridades do governo. Amanhã, quinta-feira (28). Concentração as 10h na praça 19 de dezembro (a do homem nu).

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