Entrada da UFSM é trancada em ato das categorias em greve

Na manhã desta segunda-feira (09/07), a rótula de acesso à UFSM foi trancada pelas categorias em greve. Mesmo com o frio, a obstrução do acesso à Avenida Roraima, principal via de ingresso e tráfego da universidade, iniciou às 7 horas da manhã, organizada pelos Comandos Locais de Greve (CLGs) de docentes, estudantes e técnico-administrativos em educação (TAEs). Cerca de três horas depois, a mobilização foi encerrada com uma caminhada até a sede do CLG dos técnico-administrativos e o repasse sobre a reunião dos TAEs realizada com o Reitor Felipe Müller para tratar da questão do corte de ponto.

A obstrução do acesso à UFSM ocorreu simultaneamente a mobilizações realizadas em outras universidades públicas do país: também houve atos de trancamento na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e para a tarde estão programadas atividades em ainda mais localidades. Em Santa Maria, a ação, realizada três dias depois de cerca de 1200 pessoas percorrerem mesmo sob frio e chuva as ruas centrais da cidade na Marcha pela Educação Pública, foi uma forma de pressão das categorias em greve para que o governo abra o diálogo e inicie as negociações.

Além disso, o ato foi considerado uma demonstração de força do movimento em nível nacional, depois da divulgação de nota do governo federal solicitando o corte de ponto dos trabalhadores que participam do movimento grevista. A nota, considerada um ataque direto aos trabalhadores e um assédio ao direito constitucional de greve, provocou indignação e serviu para fortalecer a mobilização de docentes, técnico-administrativos e estudantes.

Durante o período em que a via permaneceu obstruída, foi realizada panfletagem para divulgação do movimento e das pautas da greve. A obstrução gerou um engarrafamento de cerca de 4 quilômetros, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, que permaneceu na rótula de entrada da universidade orientando o tráfego de carros e ônibus e garantindo a organização do trânsito. Apesar do trancamento, o movimento permitiu o acesso de ambulâncias ao HUSM, assim como tem sido garantida a prestação de serviços essenciais desde a deflagração da greve.

No microfone, as manifestações convergiram ao reforçar a unidade entre os segmentos, considerada importante em um momento em que o governo toma iniciativas para desmobilizar e derrotar o movimento. Foi destacado também o repúdio ao processo de privatização dos hospitais universitários que pretende ser efetivado por meio da implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e o combate à precarização das condições de trabalho e de ensino na educação pública, reflexo do baixo investimento governamental no setor.

Reitor reforça que não haverá corte de ponto durante greve e Comando Local cobra manifestação em veículos oficiais

Ao fim do ato de trancamento, a mobilização culminou em uma caminhada rumo à sede do Comando Local de Greve dos TAEs, onde ocorreu o repasse sobre a reunião com o Reitor Felipe Müller realizada nesta manhã. Na reunião, representantes dos servidores técnico-administrativos cobraram do Reitor uma posição a respeito da última nota do governo federal, divulgada sexta-feira, que indica corte de ponto dos trabalhadores em greve. Conforme informaram os representantes da categoria na reunião, o Reitor reforçou a posição que já havia assumido anteriormente perante o movimento: afirmou que não haverá corte salarial por parte da administração durante a vigência da greve.

O Reitor reforçou, ainda, que questões relativas a desconto ou corte são objeto de discussão pós-greve e não partirá da administração nenhuma iniciativa neste sentido. A categoria cobra do Reitor que o compromisso assumido em reunião seja veiculado na página oficial da universidade e nos meios oficiais da instituição, para que os trabalhadores em greve tenham maior segurança e clareza sobre a posição assumida pela Reitoria.

Além de reafirmar na reunião a posição anterior, contrária ao corte de ponto, o Reitor afirmou também que há reivindicações da greve que precisam ser discutidas, mas que ele apoia a pauta salarial. Felipe Müller manifestou também a preocupação com possíveis danos ao patrimônio que podem vir a ser ocasionados pelas manifestações, ao que os representantes do Comando Local de Greve dos técnico-administrativos assinalaram: “o movimento sempre teve máximo cuidado com o patrimônio da universidade. Quem está destruindo o patrimônio público é o governo, com a precarização das universidades e ações como a privatização dos hospitais universitários e a criação da EBSERH”.

A unidade entre as categorias em greve tem sido reforçada nas atividades realizadas em conjunto, como o trancamento desta manhã, e os segmentos discutem a realização de novas atividades unificadas.

À tarde, ocorre em Brasília uma reunião do Comando Nacional de Greve dos TAEs com o Ministério da Educação. A reunião tem início às 16 horas, e discutirá as pautas consideradas democráticas – ou seja, as questões que não tocam no mérito salarial: jornada de trabalho com horário corrido escalonado de 30h, paridade entre categorias, EBSERH, entre outras.

O Comando Local de Greve dos TAEs reforça a importância da presença de todos na assembleia de amanhã, terça-feira (10), que acontece às 8 horas da manhã, no hall da Reitoria, e terá como pautas a avaliação da greve e a discussão sobre os rumos do movimento.

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