Reitoria da UFSM amanhece fechada

Desde o início da manhã desta quarta-feira, 11, a Reitoria da UFSM está fechada pelo ato de ocupação realizado por estudantes e técnico-administrativos em greve, com o apoio da categoria docente. Os grevistas bloquearam a entrada do prédio da administração enquanto aguardam manifestação pública do Reitor em relação ao documento que lhe foi entregue na manhã de ontem por representantes dos Comandos Locais de Greve (CLGs) de técnico-administrativos, estudantes e docentes.

O documento solicita a manifestação pública da Reitoria em relação a quatro pontos considerados elementares para o movimento paredista das três categorias.

O primeiro ponto é a ameaça de corte de ponto e desconto salarial de trabalhadores paralisados durante o período de greve, em função de uma instrução assinada pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento (MPOG), Sérgio Mendonça, e entregue a todos os dirigentes de órgãos públicos na última sexta-feira. O Reitor Felipe Müller, em reunião com o CLG dos técnico-administrativos, já afirmou que não haveria qualquer corte ou desconto de grevistas por parte da administração durante o período de greve, que não seria entregue lista de ponto ao Ministério e que questões referentes a salários e vencimentos são objeto de discussão pós-greve. Agora, contudo, o movimento aguarda posicionamento público da Reitoria em relação à questão.

O movimento exige também a ratificação pública do apoio à greve dos três segmentos, deflagrada em 95% das Instituições Federais de Ensino do país, e o não encerramento do primeiro semestre letivo de 2012 antes que terminem as negociações de greve das três categorias, para que estudantes que realizaram greve não sejam prejudicados. Por fim, o documento solicita o reconhecimento público, por parte da administração da universidade, dos direitos dos estudantes grevistas e sobre o Calendário Acadêmico, garantindo a reposição de aulas, a não reprovação por frequência e a proteção contra o assédio moral.

O ato de ocupação iniciou na manhã de ontem, terça-feira (10), durante assembleia de greve que ocorreu no hall do prédio da Reitoria. Foi estabelecido um prazo de 36 horas para a manifestação oficial da administração, a partir da entrega do documento ao reitor em exercício, Prof. Dalvan Reinet, que ocorreu em reunião realizada entre Reitoria e CLGs de estudantes, docentes e técnico-administrativos, também na manhã de ontem.

No início da tarde, o acesso à Divisão de Protocolo do Arquivo Geral foi bloqueado, impedindo a realização de procedimentos nos diversos setores da administração da universidade. Ao longo do dia, foram realizadas atividades como debates, exibição de filmes e refeições coletivas, atividades que estão programadas também para esta quarta-feira. À noite, os cerca de 40 grevistas que pernoitaram no prédio, entre estudantes e técnico-administrativos, revezaram-se em vigílias para garantir a segurança da ocupação.

O acesso ao prédio da Reitoria, em cujos dez andares distribuem-se os setores administrativos da universidade, permanecerá impedido até que a posição pública em relação às pautas imediatas do movimento seja manifestada pelo Reitor. Como a entrada está bloqueada e o prazo para a manifestação oficial é de 36 horas, a contar da manhã de ontem, é provável que não haja expediente hoje em todo o prédio.

As ações de ocupação de Reitoria são parte de um amplo movimento que ocorre nesta semana nas universidades de todo o país, como maneira de pressionar o governo a abrir negociação com as categorias que requisitam revisão do plano de carreira, reajuste salarial e melhorias nas condições de ensino e trabalho nas universidades públicas federais. Além disso, o movimento busca pressionar os reitores e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) a tornarem pública sua posição em relação ao recente ataque do governo contra os trabalhadores paralisados, com a indicação de corte do ponto. Na avaliação dos grevistas, esta medida fere o direito constitucional de greve e almeja fragmentar o movimento.

Estas ações que se desenrolam em âmbito nacional já obtiveram, parcialmente, o resultado almejado, com a inserção da questão da greve e do corte de ponto na pauta do Seminário nacional da ANDIFES. Segundo informações do Comando Nacional de Greve dos servidores técnico-administrativos, o posicionamento da ANDIFES foi de repúdio à medida assinada pelo secretário do MPOG, e o posicionamento público da Associação deve ser manifestado em breve.

O Comando Local de Greve dos técnico-administrativos assinala que a recente atitude governamental é uma tentativa de intimidação e só demonstra a preocupação do governo com o impacto que a greve está causando. Além das reivindicações apresentadas, a mobilização na Reitoria visa também garantir a segurança de estudantes e trabalhadores frente às recorrentes práticas de assédio aos grevistas que ocorrem dentro das instituições.

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