Esclarecimento sobre a Urna do Setor de Tecnologia e o processo eleitoral do DCE-2014

 

Nós do coletivo Outros Outubros Virão propusemos no último CEB, do dia 30 de outubro, a mudança da urna do Setor de Tecnologia. Isso se tornou motivo para reações do C7, que se coloca como paladino da democracia e como representante legítimo dos estudantes do Setor.

Primeiramente, queremos colocar que também desenvolvemos atuação no Setor de Tecnologia, com uma concepção de Movimento Estudantil divergente da do C7. Em momento algum colocamos isso para soar como “donos da bola”, como o C7 tem feito, mas para justificar que nossa proposta não se dá completamente sem fundamento do cotidiano do prédio, ou como golpistas que querem calar os estudantes da Tecnologia. Sugerimos tal mudança por entender que, como a cantina interna não existe mais, esse ponto não mais concentra os estudantes dos diversos cursos do Setor. Propusemos a mudança da urna para a frente da Biblioteca por entender que nesse espaço há um trânsito intenso de estudantes dos diversos cursos durante o dia todo, e também porque esse espaço daria uma boa visibilidade para a urna, especialmente no fim do semestre (época em que se dará a eleição).

Não acreditamos em um discurso raso sobre democracia e sobre representatividade. A democracia que o C7 prega é uma democracia “em si mesmo”, a democracia vale enquanto for para servir aos seus interesses. Oportunamente, o C7 esqueceu de citar em sua nota que na reunião da Comissão Eleitoral do dia 1º de novembro, ameaçaram entrar a força na reunião e pressionaram para que sua posição fosse aceita. Também nos acusam de querer diminuir os votos no Setor de Tecnologia, mas não mostram qualquer prova de uma suposta conversa em rede social. Em nossa leitura, mudar a urna para a frente da biblioteca talvez até aumentasse o número de votantes. Sobre a representatividade, ainda acreditamos que ela por si só não serve para impulsionar a construção de um Movimento Estudantil crítico, independente e autônomo. Ainda não esquecemos que o C7, na gestão do DCE de 2012, se alinhou com a Reitoria contra o movimento de greve construído de forma legítima e democrática pelos estudantes, e esse tipo de representatividade realmente queremos longe de nós. Na época, diversos estudantes do Setor de Tecnologia compuseram um Comando de Mobilização autônomo para construir a greve, participar das atividades gerais e levar o debate para os cursos, contando com a presença de estudantes da Arquitetura, Engenharia Química, Engenharia Elétrica e Engenharia Civil.

Contudo, acreditamos que os espaços formais do ME (Centros/Diretórios Acadêmicos, DCEs, etc) podem sim ser utilizados. Não somos contra a representatividade por princípio. Acreditamos que a atuação nesses espaços deve se dar se o objetivo for pontecializar a organização política dos estudantes, e não pela estrutura em si, pois não é de um ME encastelado no DCE ou no CA/DA que os estudantes precisam. Para entender melhor nossa posição a respeito, indicamos a leitura da tese sobre democracia e representatividade que apresentamos ao Congresso dos Estudantes da UFPR 2013, que pode ser consultada aqui. Dado o cenário de grandes mobilizações que se desenha para o ano que vem, por conta da Copa do Mundo, acreditamos que o DCE pode ser um instrumento interessante para potencializar a organização dos estudantes nesse processo.

Também gostaríamos de evidenciar o quão falaciosa é a atitude de o C7 consultar os centros acadêmicos a que ele mesmo dirige politicamente. É como consultar a si mesmo, garantir que o C7 concorda com a própria opinião.

Por último, convidamos todos os estudantes do Setor de Tecnologia a refletirem sobre o assunto. O C7 se coloca como “porta voz” dos estudantes de Tecnologia, mas os que convivem o dia-a-dia do Setor sabem que há muita insatisfação em relação ao C7 e suas atitudes. O C7 realmente representa a todos nós? Nós do coletivo Outros Outubros Virão acreditamos que não, e nos propomos a contribuir para a construção de um Movimento Estudantil que realmente vise o avanço político dos estudantes, para que não entendam o seu papel político meramente como o poder do voto, mas para que se tornem agentes das mudanças que queremos conquistar no espaço universitário e na sociedade. E sabemos que há muitos estudantes da Tecnologia sedentos por mudanças.

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