A luta é legítima! Força aos trabalhadores dos Correios

Cabecalho

Nesta quarta-feira, 12, o Estado deu mais uma prova de que está ao lado dos patrões. Ao julgar uma greve legítima dos trabalhadores dos correios, que cruzaram os braços para garantir que não fosse privatizado seu plano de saúde, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou o movimento abusivo e impôs uma série de ataques aos lutadores grevistas. Além de deslegitimar um movimento de classe, a justiça burguesa decretou o desconto de 15 dias nos salários dos trabalhadores que pararam, ordenando, ainda, que os demais dias sejam repostos. Sabemos que, para além da perda financeira que afetará esses trabalhadores e suas famílias, tais reposições de horas paradas se darão sob cargas de trabalho extenuantes e más condições de trabalho.

A luta das 18 bases sindicais que encamparam a greve pelo país foi de uma justeza e legitimidade inquestionáveis. O Correios Saúde, atual plano de saúde da categoria ecetista, é um dos maiores benefícios dos trabalhadores. O plano, gerido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), garante assistência médica, hospitalar e odontológica aos ecetistas e seus familiares, de forma que esses têm acesso a um plano que, embora precise ser melhorado, vem garantindo o direito da categoria à saúde. Quando quisessem negociar alterações, os trabalhadores poderiam o fazer por meio do acordo coletivo. Agora, com a Empresa querendo se desresponsabilizar com a saúde de seus funcionários e passar a gestão do Correios Saúde para terceiros, os trabalhadores ficarão a mercê de taxas muito maiores e não têm garantia de que possam continuar colocando familiares como dependentes. De beneficiários passam a associados, como num plano privado qualquer. É a tentativa descarada dos patrões de dividir em 50% e 50% o dever com a saúde. Ou seja, a empresa entra com metade, e os funcionários com outra metade. Isso é só o início para que, daqui a um período, a saúde seja majoritariamente custeada pelos próprios trabalhadores.

A tentativa da Empresa de implantar autoritariamente essa privatização é ilegal, visto que descumpre a cláusula 11 do acordo coletivo da categoria. Nessa cláusula, os Correios se comprometem em continuar garantindo a gestão do plano de saúde, e qualquer alteração seria somente mediante estudos atuariais entre ECT e Fentect. Contudo, mostrando sua conivência com o patrão e com o PT, nossos juízes entenderam que “aparentemente” não foi descumprida a cláusula. Devido a essa decisão truculenta da burguesia, os ecetistas não têm garantia de que o plano seguirá sob gestão da Empresa.

Para esse ataque da Empresa contribuíram as direções pelegas, que têm atrelamento com o governo e atrasam a mobilização por direitos. Ao utilizarem-se do sindicato para trampolim político ou para levarem um cargo de chefia, esses dirigentes sindicais, ligados a setores governistas como o PT e a CUT, aniquilam o movimento classista e deixam seus trabalhadores numa total desinformação. Em alguns lugares, como na Bahia, até ata de assembleia fraudaram, querendo forçar os trabalhadores a se retirarem da luta. Ora, sabemos que é ano eleitoral e que vale tudo para colocar representantes no Estado burguês. Vale, inclusive, frear a luta de classe e amortizar os ânimos num ano em que todas as câmeras estarão voltadas para o Brasil.

Essa postura é típica de instrumentos – como PT e CUT – que, embora saídos de movimentações massivas no seio da classe trabalhadora, hoje trabalham para engrossar a voz patronal nos locais de trabalho. De entidades de luta, passaram à cooptação. De propulsores da luta de classes, passaram à conciliação.

O coletivo Outros Outubros Virão dedica esta nota a todos os trabalhadores ecetistas que levantaram a cabeça e cruzaram os braços. Essa greve não foi derrotada, foi pedagógica: entendemos de que lado o Estado e a justiça burguesa estão, entendemos que a Empresa iria impor esse ataque muito mais facilmente sem a mobilização, e entendemos, principalmente, que é só na união e na luta que mudamos nossas condições de vida. Como trabalhadores em formação que somos, estamos no mesmo lado da luta de classes: o lado da classe trabalhadora, e nossa solidariedade e apoio aos companheiros é inabalável.

FIRME!

Anúncios

One Response to A luta é legítima! Força aos trabalhadores dos Correios

  1. Osmar Droppa disse:

    Espera-se, que não fique apenas no discurso elaborado, e “eficiente”. Deverá haver uma compensação
    financeira por parte da Fentect, e sindicatos; aos paredistas. Não apenas usá-los por conveniência, e deixa-los á própria sorte; e desenrolar (ou enrolar) dos fatos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: