Nota de apoio ao Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Estado de São Paulo

Estivemos presentes na última assembléia estadual do sindicato dia 31/10/14, onde foi feito o informe da concessão pelo governo de carta sindical a um novo sindicato recém criado (SINSSP), o que coloca o Sinsprev-SP na ilegalidade.

O Sinsprev-SP existe há mais de 20 anos e sempre se posicionou contrário a medidas precarizantes e construindo lutas por melhores condições de trabalho. É inadmissível que seja questionada sua legitimidade perante a categoria por uma simples manobra de setores aliados ao governo que querem minar a luta independente da classe trabalhadora nos locais onde ela ainda existe.

O coletivo Outros Outubros Virão manifesta solidariedade ao Sinsprev e aos trabalhadores do INSS e Saúde Federal e cerra fileiras com estes companheiros contra os ataques do governo federal e dos pelegos. Nos entendendo enquanto trabalhadores em formação, pois já somos ou seremos em breve trabalhadores, nos colocamos na luta lado a lado com as organizações combativas da classe trabalhadora, e por isso repudiamos essa manobra, estamos ao lado do Sinsprev-SP nesta luta e nas que estarão por vir.

Fora SINSSP!

Segue informativo divulgado pela atual direção do Sinsprev esclarecendo a situação com mais detalhes:

Mais um golpe do governo contra o Sinsprev/SP

Uma entidade composta por gerentes e membros do governo emitiu um comunicado à categoria informando que agora é “a única e legítima entidade sindical que representa os servidores do INSS, que é inclusive a única com registro sindical junto ao Ministério do Trabalho. Mas, única e legítima entidade pra quem? É a ÚNICA E LEGÍTIMA entidade sindical que representa os interesses do GOVERNO.

Tanto que, menos de uma semana depois do primeiro comunicado sobre a carta sindical, enviaram outro orientando os servidores a votarem na Dilma. Eles mesmos se desmascaram mostrando para que vieram.  Sem nenhuma crítica, omitem  todos os ataques que o governo do PT  nos impôs nos últimos 12 anos: reforma da aposentadoria do servidor público com quebra da paridade, aumento da jornada de trabalho, gratificações produtivistas vinculadas a metas insanas, perda de metade do salário na aposentadoria, o assédio moral dos gerentes e o adoecimento  dos servidores.

Sobre as eleições, o Sinsprev se pronunciou no editorial do Jornal do Sinsprev/SP – Ed. 288  – página 2 (Aqui), discutindo que  nenhuma das candidaturas com chances reais de vitória representavam os interesses dos trabalhadores. Nossa posição não é plantar ilusão eleitoral e sim organizar os trabalhadores para a luta pela garantia de seus direitos. Diferentemente dos oportunistas que dizem representar os servidores, mas perante o Governo defendem e dão legitimidade aos seus projetos políticos anti-trabalhador, sustentados através de um sindicato composto por gerentes e detentores de cargos de “confiança” do governo/chefias no INSS e outros órgão federais.

A categoria já disse um sonoro NÃO a estes oportunistas capachos do Governo, que em 2009 tentaram fechar o sindicato com uma liminar durante a realização do congresso estadual/Consinsprev, pois não possuíam legitimidade e coragem para fazer um debate político franco com os trabalhadores. Em Piracicaba, os trabalhadores do INSS e Saúde retomaram a Delegacia Regional que há anos estava sob o controle dos oportunistas do governo. Depois de serem rechaçados pela categoria, partiram para o desespero, tentando fundar outra entidade sindical, pois tinham a tarefa de convencer os servidores do INSS a trabalharem 8 horas e aceitarem pacificamente as gratificações produtivistas e os descontos no salário na aposentadoria.

Foram fragorosamente derrotados no congresso e não se contentando com a vitória da autonomia e independência dos trabalhadores, se organizaram novamente em uma entidade composta por gerentes e possuidores de cargos no governo para tentar mais uma vez dar um golpe no Sinsprev/SP. E, vergonhosamente, a máquina do Governo, através do MTE simplesmente os favorece concedendo registro sindical em tão pouco tempo de existência e ignorando os quase 30 anos de existência do SINSPREV/SP. Esta entidade, que se diz nos representar, foi fundada numa assembleia estadual com menos de 100 pessoas (de uma base de cerca de 30 mil servidores sendo que a maioria dos presentes nesta assembleia eram gerentes do INSS).  Esta ação, orquestrada com o governo do PT, foi para atacar a legítima e democrática representatividade do SINSPREV/SP, um sindicato histórico, que nasceu na luta, em plena ditadura militar, conquistando o direito dos servidores públicos de se organizarem em sindicatos.   Ao longo deste período o SINSPREV/SP agregou 15 mil filiados e permanece na luta intransigente dos direitos e garantias dos servidores, independente de governos e patrões.

O Registro Sindical da entidade governista é o presente pelo apoio incondicional ao governo nas eleições

Esse expediente é um prenúncio das medidas que serão tomadas pelo governo Dilma contra os trabalhadores. É preciso mobilização e luta para reverter esse quadro.

Desde o mandato de Lula iniciado em 2002, o principal trunfo do PT para agradar os patrões, tem sido o controle sobre o movimento sindical combativo. Este controle se dá através de projetos que impõem divisão entre trabalhadores, diferenciações de jornada de trabalho dentro da mesma carreira, a criminalização das greves com demissões, descontos, intervenções do judiciário nas decisões dos trabalhadores (como liminar para impedir a greve de 2009), congelamento salarial que favorece o endividamento dos servidores como forma de coação, que por outro lado enriquece cada vez mais os bancos e financeiras. A criação de mais sindicatos e associações chancelados pelo governo é parte da ofensiva não só para dividir os trabalhadores, como para cooptar e privilegiar os pseudos dirigentes sindicais que cumprem a tarefa de aceitar pacificamente as más condições de trabalho, atendimento e salários cada vez mais perversos.  A CUT, hoje correia de transmissão do governo dentro do movimento sindical, como várias outras centrais sindicais governistas e pró-patrões, fazem este trabalho sujo, em troca de cargos no governo e do famigerado dinheiro do imposto sindical, rejeitado pela categoria em seus fóruns democráticos e combatido pelo Sinsprev/SP desde a sua criação.

A entidade que se diz legítima não passa de um sindicato a serviço dos interesses do governo e não daqueles que diz representar, os servidores. São os mesmos que em 2003 defenderam a reforma da previdência que intensificou a quebra da paridade, fim da aposentadoria proporcional, diminuição das aposentadorias/pensões e obrigou os servidores a permanecerem por mais tempo em atividade (55 anos/mulher e 60 anos/homem).  Também em 2.009 estavam percorrendo as APSs para convencerem os servidores a trabalharem 8 horas. Em nenhum momento se contrapuseram às práticas das chefias de intensificação do assédio moral contra os servidores exigindo metas de produtividade absurdas e inatingíveis.  São os mesmos que nada fizeram frente ao ataque de criminalização da greve de 2009 que reivindicava a regulamentação das 30 horas para todos, paridade e incorporação das gratificações. 

O Sinsprev/SP, há mais de 30 anos, defende as reivindicações históricas dos servidores como a autonomia e independência dos trabalhadores, a manutenção e ampliação de direitos. Agora querem nos empurrar goela abaixo outra entidade, chancelada pelo governo, que defende a produtividade, a retirada de direitos, as 08 horas, o arrocho salarial, que é contra a greve, ou seja, um sindicato a serviço dos interesses de governo, enfim: um sindicato patronal. Não passarão!!

Fonte: http://sinsprev.org.br/index.php?editoria=9776&chave_construtor=59

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