Nota ao fechamento do RU pela reitoria da UFPR

            No dia 10/04, sexta-feira, os alunos da universidade se depararam com o restaurante universitário de portas fechadas e, pouco tempo depois, com um banner, em que a reitoria alegava que o motivo do fechamento estava na falta de água, a qual havia sido cortada, de acordo com eles, por invasores. E na segunda-feira, dia 13/04, a situação se repete: nada de almoço, mas o banner está lá!

            Quem está acompanhando o processo que envolve a disputa pelo prédio do DCE, logo percebe do que se trata. O prédio, que compartilha parte do abastecimento de água com o RU, já se encontrava sem água e sem luz há dias. Ambas foram cortadas pela estrutura da universidade numa tentativa de fazer com que os coletivos que lá se estabelecem não aguentassem essas privações e o desocupassem. A justificativa que a Reitoria utiliza para forçar essa desocupação e tomar a posse do prédio é a de fazer uma “revitalização” no DCE, o que, contudo, está bem longe de uma reforma estrutural que o prédio, assim como a reitoria e o RU central, realmente precisam. No entanto, os coletivos (El quinto, Radio Gralha e Antifa 16) resistiram com muito afinco e, com a ajuda de outros coletivos do ME, mantém a ocupação do prédio há muitos dias. Resistiram mesmo quando a reitoria decretou a desocupação do prédio em 24h, ameaçou puni-los juridicamente, ameaçou usar de força policial e, até mesmo, trancar os integrantes dentro do prédio caso não saíssem.

            Quando nos deparamos com um RU fechado e com um banner muito bem preparado, possivelmente feito com antecedência, é fácil chegar à conclusão de que “os invasores”, como a reitoria chama os coletivos por insinuação, não poderiam ter cortado a água, pois quando foram privados dela, se viram impotentes. É a própria reitoria que fecha o RU com o intuito de culpar os coletivos e todos os estudantes que estão envolvidos no processo de defesa do prédio e contribuir para que os outros estudantes dirijam sua revolta a ocupação do prédio.

            Assim, mais uma vez somos lembrados da truculência e das artimanhas da qual a reitoria é capaz em seu intuito de desmobilizar o movimento estudantil combativo, o que tenta fazer, atualmente, tomando posse do prédio que os estudantes utilizam para se autofinanciar e se organizar. Para isso, hoje prejudicou também grande parte dos estudantes de sua universidade. A maioria não dispunha de tempo para se deslocar para outros campi apenas para almoçar, mesmo com a “cortesia” de um ônibus. Mas esse dano está longe de ser um dos piores ataques aos estudantes da Reitoria em situações similares, e muito menos é uma novidade. Eles não hesitaram em jogar com a assistência estudantil para impedir que os estudantes entrassem na luta, por exemplo em 2012, quando as bolsas estudantis foram atrasadas para tentar acabar com a ocupação da Reitoria.

            Em tempos de cortes de verbas, esse RU, hoje fechado, também já sofria com a escassez de ingredientes, de suprimentos. Isso porque quando há cortes de verbas na Universidade, os âmbitos da assistência estudantil são os primeiros a sofrer retaliação. Como acontece já com o RU, com as bolsas estudantis, das quais muitas atrasaram e muitas vem sendo cortadas; com as casas dos estudantes, que estão em precárias condições. Fechar o RU acaba por ser um grande negócio em termo de economia de recursos num tempo de vacas magras: imaginem o quanto um dia de fechamento poupa em termos de verba!

            Quando o governo anuncia um corte de gastos, os primeiros afetados são os benefícios trabalhistas, como estamos vendo nos ataques à previdência, seguro-desemprego, dentre outros, ao invés de tirar do bolso de quem lucra com esses trabalhadores.  Do mesmo modo, na Universidade, o corte de verbas atinge primeiramente a assistência estudantil. E assim como o Estado utiliza a truculência policial para reprimir mobilizações, como em junho de 2012, a Reitoria da UFPR faz o mesmo para passar sua posição, como no ano passado em que estudantes e funcionários enfrentaram bala de borracha para tentar impedir a adesão à EBSERH. E, no âmbito da precarização do trabalho, assim como o Estado está numa tentativa de fazer passar uma legislação que incentiva o trabalho terceirizado, a Reitoria adere a essa empresa citada que contrata funcionários a partir de um vínculo mais precarizado.  É por essas e outras que, nessa luta que se trava na nossa sociedade, dentre as classes, nós sabemos de que lado a reitoria, assim como o Estado, está, e não é do lado dos estudantes nem dos trabalhadores. E, sim, da manutenção dessa ordem social, opressora e injusta.

            Apenas um movimento estudantil combativo pode fazer resistência a esses ataques! Nós, do coletivo Outros Outubros Virão, queremos ajudar a construi-lo. Esse movimento, certamente, não passa por uma gestão do DCE que se coloca ao lado dessa reitoria, recebendo da mesma apenas os mais altos elogios, mas passa pela união dos estudantes para reivindicar que não tenhamos, por mais um dia, um banner ao invés de uma refeição!

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