SOLIDARIEDADE AO CAMARADA RENATO: A JUVENTUDE NEGRA TEM A VOZ ATIVA

Na última quinta-feira, 25 de agosto de 2016, aconteceu no Largo da Ordem em Curitiba mais um caso de violência policial contra a juventude da periferia que ousa ocupar o centro da cidade.

O militante Renato (candidato a vereador pelo PSOL) e dois amigos foram enquadrados de forma truculenta e violenta pela Guarda Municipal, tendo sido o Renato preso, espancado e humilhado de diversas formas. Sem haver nenhuma acusação justificada, nenhum crime, configurando puro abuso de autoridade. O Renato é preto, pobre, e estava ouvindo rap com seus amigos no Largo da Ordem. Existir e ser preto com orgulho parece ser algo considerado crime em nossa sociedade.

CURITIBA, A CIDADE MODELO (DO RACISMO)

Tem sido cada vez mais frequentes as batidas policiais na região do Largo da Ordem, em especial desde que voltaram a se articular eventos de hip-hop pela região.

Vivemos em uma cidade marcada pela higienização social. A periferia fica escondida, e a polícia está aí pra demarcar onde é e onde não é o lugar de preto e de pobre. O centro e bairros nobres ao redor são “limpados”, pra formar a ilusão da cidade de cartão-postal pra gringo ver. Mas quem mora nas quebradas mais afastadas do centro, sabe que a realidade da cidade e da maioria da população trabalhadora é bem diferente.

A MIRA DA POLÍCIA TEM COR E CLASSE SOCIAL

A polícia enxerga na população negra o perfil de marginal padrão. O preto é suspeito sempre, pelo simples fato de ser preto. Isso é fruto do racismo institucional do Estado e da polícia, seu braço armado. Esse pensamento vem desde o próprio surgimento da polícia no Brasil.

O primeiro corpo policial do Brasil foi a PM do Rio de Janeiro. Seu brasão possui dois ramos: de cana-de-açúcar e de café.

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Essas eram as duas grandes culturas e a fonte de lucro da elite escravocrata do Rio de Janeiro. A polícia desde seu surgimento surge como braço armado pra garantir que preto se coloque “no seu lugar”, ou seja, se sujeite à exploração e a todo tipo de humilhação sem reclamar.

O Estado brasileiro, desde o surgimento do país, cumpre a função de manter as classes dominantes no poder político e econômico da sociedade. Seja através das leis, ou através do cassetete da polícia.

A polícia está aí para garantir que a classe trabalhadora fique submissa, seja através da violência nas periferias, seja combatendo as greves da classe trabalhadora, ou qualquer tipo de manifestação que questione a ordem (inclusive o hip hop).

A JUVENTUDE NEGRA TEM A VOZ ATIVA

Não podemos aceitar de braços cruzados que a chacina do povo preto trabalhador continue a acontecer.

Somos Amarildos. Somos Cláudias. Somos Renatos. Somos a maioria da população, e devemos nos unir pra lutar por melhores condições de vida. Romper com a lógica de que todo preto é marginal, de que o seu lugar é nas favelas e nos bolsões de pobreza. O compromisso com a criação de uma nova sociedade livre do racismo, da exploração, e de toda forma de opressão é um compromisso que deve ser assumido por toda a classe trabalhadora que luta pela sua emancipação e pela construção de uma sociedade justa e igualitária.

A polícia nos desumaniza e quer nos convencer que somos monstros. Mas não somos monstros. A luta contra o racismo é a luta pela nossa humanidade.

Devemos resgatar a memória de todos os pretos e pretas que vieram antes de nós e deram suas vidas pra podermos hoje continuar lutando pela nossa emancipação e a emancipação do conjunto de toda a classe trabalhadora oprimida e explorada.

Querem colocar o povo preto num papel de passividade, e apagar a brava história de luta e resistência que temos construído por todo mundo. Não vão conseguir!

Palmares vive! Black Panthers vive! A revolução haitiana vive! Viva aos escravos rebeldes!

PODER PARA O POVO PRETO!

FORÇA AO CAMARADA RENATO!

QUANDO UM PRETO AVANÇA, NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

FIRME!

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