PARAR A PRODUÇÃO! MARCHAR RUMO A UMA NOVA GREVE GERAL CONTRA AS REFORMAS!

            Crise econômica, retirada de direitos, reformas. Estes são termos que temos ouvido há algum tempo no nosso cotidiano. A análise deles é sempre necessária para avaliarmos de onde viemos, onde estamos e para onde devemos ir. Toda crise econômica coloca uma necessidade para a burguesia. É o momento de, por um lado, atacar cada vez mais os trabalhadores – retirando até mesmo os direitos mais básicos e aumentando sua exploração – e, por outro, dar cada vez mais aos empresários e banqueiros para que consigam manter e recuperar os lucros altos. Isso tudo é realizado através do balcão de negócios da burguesia, do aparato organizador da dominação de uma classe sobre a outra: o Estado. É nesses marcos que se encontra a base de toda essa retirada de direitos que estamos sentindo hoje.

Nos seus 13 anos de mandato, o governo anterior – do Partido dos Trabalhadores – foi um dos grandes fortalecedores e promotores do desenvolvimento dos grandes empresários e banqueiros. Através de uma política de conciliação de classes – dando migalhas à classe trabalhadora e cooptando, burocratizando a organização e mobilização contra o capital, e fornecendo extensos recursos para que a burguesia se mantivesse tranquila, explorando os trabalhadores enquanto as lutas dos mesmos eram cooptados – o Partido dos Trabalhadores estava servindo muito bem para os interesses da classe dominante. Pontual exemplo disto foram às chamadas medidas anticíclicas implementadas por Lula para salvar as empresas (a venda dos títulos da dívida pública e o aumento do crédito para maior circulação de mercadorias – medida esta vendida aos trabalhadores com o fajuto discurso do aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores). Em 2015, batendo à porta uma nova crise cíclica da economia, esta ainda se recuperando da crise de 2008,  demandando um maior arrocho nos direitos dos trabalhadores, esse partido não conseguiu mais conciliar o empresariado e a classe trabalhadora. Diante desse cenário, a burguesia decide que precisa de um novo conjunto de gestores da maquina burocrática do seu Estado para dar cabo de seus interesses. Utilizando-se do Impeachment como uma das diversas ferramentas que poderia atingir este interesse, coloca Michel Temer para retomar a suposta aparência de “neutralidade e bem estar” do Estado, assim como para aplicar, diante da crise, todas as medidas de austeridade que o Capital precisa – teto dos gastos públicos, reforma do ensino médio, finaliza o acordo da terceirização, reforma da previdência e também das leis trabalhistas.

No entanto, a classe trabalhadora mesmo depois de todos esses anos de amortecimento, se mostrou resistente na defesa de seus direitos e juntamente com as reformas temos grandes mobilizações, como as ocupações das escolas no final de 2016, o dia 15 e a greve geral do dia 28/5. Esse movimento da luta de classes gera no governo uma grande instabilidade política e inviabiliza a aplicação rápida das medidas. Isso tudo chega ao atual momento de brigas internas entre os próprios partidos representantes dos patrões, exemplificado nas delações que envolvem o presidente. O teatro da burguesia tira os personagens de acordo com seus interesses, por razões fundamentalmente econômicas: garantir os lucros dos patrões. Para manterem seus lucros, a magnitude de suas riquezas, suas fábricas e propriedades privadas, os capitalistas empreendem diversas ações, sejam elas quais forem necessárias: vemos a corrupção (inerente e ligada profundamente ao modo de produção capitalista) cada vez mais na ordem do dia, assim como as “soluções” para o crescimento econômico do país, que resultam no aumento exponencial da exploração e da miséria. Um assassinato indireto de partes da classe trabalhadora num momento em que o um a cada quatro jovens estão desempregados[i] e com um sistema público de saúde altamente precarizado[ii].

Marcha para Brasília e o momento atual

            A história do movimento da classe trabalhadora nos coloca algumas questões que precisamos analisar para pensar as táticas usadas na conjuntura atual, pois grande parte do que vemos hoje é reflexo de tempos não muito distantes da história das lutas em nosso país. Uma das referências para a esquerda brasileira – e que ainda está colocada como projeto hegemônico para a classe trabalhadora – é o Projeto Democrático-Popular, tendo sua expressão máxima na militância estratégica e tática do PT. Tal projeto coloca, de maneira resumida, que temos tarefas democráticas a atingir ainda dentro do capitalismo e que para isso ser efetivado é necessário que o povo, uma aliança de diversos setores (como os trabalhadores, campesinato e pequenos empresários) se mobilize para cobrar do Estado que tais medidas sejam efetivadas. Como forma de alcançar esse processo, alça a disputa eleitoral, colocando como necessidade que um “representante” da classe trabalhadora esteja no poder, pois dessa forma suas condições de vida seriam melhores. Tal objetivo de disputa eleitoral foi cumprido, com os 13 anos de governo do PT, mas somente nos evidenciou o que já sabíamos: esse aparelho apenas garante a dominação de uma classe sob a outra. Nós sabemos, porém, que esse governo ficou bem longe da defesa dos direitos dos trabalhadores e da sua organização enquanto classe. Precisamos de muito mais que isso, não queremos reformar e perfumar o Estado capitalista, mas sim acumular força necessária e acúmulo estratégico da classe trabalhadora para a tomada do poder e construção de um Estado Proletário.

As práticas desse ciclo de lutas cumprem um papel claro de desmobilização dos trabalhadores e deseducação acerca da real contradição do capitalismo. Ao colocar como central a disputa eleitoral, giram e canalizam os esforços da luta do proletariado para saídas de caráter reformista, que não colocam em cheque a verdadeira contradição social por trás do Estado burguês: a representação dos interesses dos empresários, banqueiros e patrões. Levando os trabalhadores a acreditarem que suas lutas devem ter como resultados mudanças no Congresso, na Presidência, enfim, concentrada nos palácios e ministérios de Brasília. Uma das práticas comuns desse período são as marchas e caravanas para a capital do país, que está baseada nessa análise de que o poder para as mudanças está nas instituições da democracia burguesa. Nisso, busca-se uma forma de negociação das pautas, o que consiste em uma institucionalização das lutas. Característica marcada do projeto democrático-popular, que já levou nossa classe a um caminho árduo de apassivamento e não contribuiu para a organização dos trabalhadores enquanto classe para a derrubada desse modo de produção         .

Neste mês está sendo convocada, por diversas organizações de esquerda, uma marcha para Brasília, a ser realizada no dia 24 de maio. Compondo essas movimentações, surgem organizações que se colocam diariamente na luta dos trabalhadores, na luta pela superação do capitalismo, e que dão foco nesse momento para a luta contra as reformas através de uma Greve Geral, saudamos esses lutadores e achamos que esse é nosso acordo tático atual. Porém, entendemos que elas são minorias, e que as táticas do Projeto Democrático-Popular – que se expressam no PT, CUT, UNE e organizações satélites – são a hegemonia desse ato. Como podemos ver em diversas marchas à Brasília que participamos a burocracia da CUT nos seus carros de som, ditando os rumos do ato, sem respeitar a democracia de decisão do movimento, a falta de espaço para se colocarem diferentes análises políticas sobre a direção do ato, o clima festivo e carnavalesco promovidos pelos mesmos que cooptam e burocratizam os instrumentos dos trabalhadores, etc., carregam uma análise da centralidade do poder nas instituições e, principalmente nesse período, possuem um objetivo de fundo de promover uma troca de governo através das vias eleitorais, com palavras de ordem como ”Diretas Já! e “Lula 2018”, que estão sendo pautado por essas organizações.

 

(Re)construir a luta nos locais de trabalho e estudo!

A própria burguesia já brada que, para os interesses dela, as reformas deverão passar com ou sem o atual gestor do Estado, Michel Temer, portanto não podemos nos iludir com a possibilidade de queda das reformas junto com a queda de Temer. Também não podemos nos iludir com a saída nas vias eleitorais, e nisso também as tarefas não são novidade: Seguir denunciando a ilusão em mudanças pela estrutura do Estado e os discursos que tentam convencer a classe de que a saída para sua situação é simplesmente a derrubada de Temer e as eleições diretas, bem como fazendo a crítica a composição de movimentações que reforçam esse caráter e contribuem na manutenção dos vícios de práticas burocratizadas que a classe herda do Projeto Democrático-Popular e que muitas organizações da esquerda socialista acabam por reproduzir, ao não fazerem a crítica e autocrítica real, denúncia constante e o rompimento de fato que caminhe para a superação dessa estratégia de conciliação.

 Nossas mobilizações ganham força e geram impactos reais contra os ataques quando atingem o que há de mais precioso para a sociedade capitalista e para os patrões: a produção e a circulação de mercadorias. É essa produção que baseia a organização do Estado como um órgão que garantirá sua reprodução desenvolve um sistema jurídico que o vai defender, assim como um sistema ideológico. É dentro da produção capitalista que se encontra a contradição principal dessa sociedade – o antagonismo entre trabalhador e burguesia. E é para garantir a manutenção dos níveis de produção acentuada, e manutenção da taxa de lucro para o empresário, que são impostas essas reformas e retiradas de direitos que estamos assistindo no atual cenário.

Portanto, nossa tarefa para o momento não deve ser colocada na alteração de um governo por outro, pois ambos servirão apenas para a manutenção desse sistema, que não nos serve. Devemos nos focar no que realmente implicará consequências gigantescas para o capital, que é onde se encontra o nosso poder – na capacidade de parar a produção nos locais que produzem todas as condições para a vida humana. É nos nossos locais de trabalho e estudo que devemos focar nossas ações, portanto, buscando contribuir com o avanço e generalização necessária das lutas em torno das pautas que não são da categoria x ou y, mas de toda uma classe explorada! Devemos parar a produção nas fábricas, escolas, universidades – através da organização dos trabalhadores e estudantes em seus locais de trabalho, estudo e moradia, numa luta de resistência contra as reformas que a burguesia e seu governo tentam nos impor. Somente assim nos reoxigenaremos para a construção de uma estratégia e organização que realmente esteja na vanguarda dos trabalhadores, na disputa pelo poder político e econômico da sociedade!

Não podemos cair na crença de que o poder da classe trabalhadora está encastelado em Brasília, e que é lá que tudo se resolverá. Entendemos e defendemos a importância da nacionalização das lutas, mas, para nós, a marcha de hoje se expressa enquanto tática que reforça a estratégia ainda hegemônica que buscamos superar – a do Projeto Democrático Popular –, mesmo com os esforços de camaradas de diversas organizações na sua superação. Acreditamos que essa superação se dará a partir da reorganização da nossa classe no fortalecimento da luta em cada local onde a exploração acontece, a partir da luta cotidiana, das greves e paralisações, sendo essas sim as principais ferramentas de enfrentamento à ordem e contra os ataques que o capital impõe para a nossa classe!

Após essa análise, concluímos que a marcha para Brasília não será a prioridade da nossa militância para o momento, na medida em que não somos um coletivo de grande influência no movimento estudantil a nível nacional e devemos ter priorização de nossas ações, afim de não nos perdermos nas demandas da realidade. Em vez disso, priorizaremos a mobilização nos nossos locais de estudo, contribuindo nas lutas em curso para a construção de uma nova e maior greve geral de 48h no país, na luta contra as reformas, contra o Estado, os governos e os patrões!

FORA PATRÕES E SEUS GOVERNOS!

BARRAR AS REFORMAS E A OFENSIVA DO CAPITAL!

O ÚNICO CAMINHO É FAZER GREVE GERAL!

[i]Um quarto dos jovens de 18 a 24 anos estão desempregados – Folha de São Paulo 24-02-2017 em: http://bit.ly/2kTWL0w

[ii] Rio de Janeiro está à beira do caos social, apontam especialistas – Brasil Atual 18-01-2017 em: http://bit.ly/2qcjMOL

 

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