Nota de Apoio do Coletivo Outros Outubros Virão às Ocupações na UFSM e à Greve das categorias da Universidade

16/11/2016

419_1187x788_146839482_900x597Fonte: Mídia Ninja

Frente ao novo momento de ascenso das mobilizações da classe trabalhadora contra a PEC 55, Reforma do Ensino Médio, Projeto Escola Sem Partido e outros ataques que minam os nossos direitos, os trabalhadores e trabalhadoras em formação da Universidade Federal de Santa Maria também decidiram participar desse cenário de defesa da Saúde e Educação Pública.

Na tarde desta quinta feira (10), já em uma semana com muitas ocupações acontecendo na universidade, o movimento estudantil realizou a maior Assembleia Estudantil da história da UFSM nos últimos 30 anos, com mais de 4 mil estudantes presentes. Lotando o Estádio do Centro de Educação Física e Desportos, os estudantes deliberaram: posicionamento contrário à PEC 55; apoio às ocupações que já estão ocorrendo e às que ainda estão por vir; apoio às greves dos professores e técnicos administrativos; greve estudantil nos cursos já paralisados; e Greve Geral a partir do dia 25 de Novembro. A presença massiva dos estudantes e movimentos sociais a favor das mobilizações mostram a potencialidade da força que reside nos filhos da classe trabalhadora em tempos sombrios de retiradas dos nossos direitos.

Já se encontram ocupados os prédios 17 e 13 do Centro de Ciências Naturais e Exatas, 16,16B do Centro de Educação, 74A e 74C do Centro das Ciências Sociais e Humanas, o Centro de Artes e Letras, Centro de Arquitetura e Urbanismo e o Prédio de Apoio da UFSM, no centro.

Porém, a Universidade, assim como qualquer instituição dentro de uma sociedade capitalista, também é palco das ações da burguesia para a sustentação do projeto ideológico de dominação e de ataques aos direitos da classe trabalhadora. O Diretório Central dos Estudantes da UFSM, em sua atual gestão com membros de grupos da direita liberal como o Clube Farroupilha e Estudantes Pela Liberdade, defende um discurso apartidário e imparcial para se omitir da responsabilidade de construir um posicionamento político frente aos ataques que estão acontecendo, justamente porque a sua posição política é de apoio ao projeto neoliberal de precarização e sucateamento do serviço público para privatização da Saúde e Educação. Ao mesmo tempo que fazem uma nota em que chamam os estudantes, que estão ocupando os prédios, de invasores e organizam movimentos contrários às ocupações. Os membros do diretório, em entrevista com a mídia local, contestam a legitimidade da própria Assembleia Estudantil com argumentos de que as decisões não representam a maioria dos estudantes da UFSM, negligenciando os interesses de milhares de estudantes e o próprio debate proporcionado na tarde daquela quinta-feira. É didática a postura de uma entidade que não representa os filhos da nossa classe nesse período de acirramento de lutas, realizando diversas tentativas de desmobilização colocando estudantes contra estudantes e deslegitimando as deliberações do maior órgão deliberativo estudantil.

foto-sm-1111Foto: Maiquel Rosauro

Mesmo assim, resistimos a esses ataques e nos mantemos em luta também fora da Universidade, em unidade com outras categorias. Nessa sexta-feira (11) foi realizado o segundo Ato em Defesa da Educação, Saúde e Previdência em Santa Maria, reunindo mais de mil estudantes, professores, servidores públicos e técnicos administrativos que se manifestaram contrários aos mesmos projetos e leis que motivam as ocupações e greves estudantis fazendo coro junto as mobilizações dos estudantes e trabalhadores em todo Brasil.

Diferente do que diz parte do senso comum e o projeto político neoliberal representado pelo DCE, as ocupações não são sinônimos de invasão, de crime e muito menos de vagabundagem. Elas, assim como as greves e as mobilizações de ruas, são todas ferramentas históricas e legítimas da classe trabalhadora utilizadas para a conquista de novos direitos e a defesa de direitos que já conquistamos, e devem ser vistas pela comunidade acadêmica dentro das universidades (assim como a própria comunidade secundarista dentro das escolas) como uma necessidade na atual conjuntura política em que vivemos. Estes instrumentos de luta são as únicas formas efetivas para a construção de uma nova sociedade, e é por isso que elas são tão atacadas pelas mídias e grupos dominantes.

Por isso, o coletivo Outros Outubros Virão demonstra o total apoio aos e às estudantes que ocupam os prédios da UFSM e todas as categorias que constroem juntos a Greve Geral da Universidade somando força aos movimentos nacionais da classe trabalhadora contra a PEC 55/241 e entendendo a real necessidade de nos colocarmos em movimento para barrar o avanço do capital.

                 OCUPAR E RESISTIR!

                 NENHUM DIREITO A MENOS!

Referências
 https://ninja.oximity.com/article/UFSM-surpreende-na-luta-contra-a-PEC-5-1
https://claudemirpereira.com.br/2016/11/pec-55-protesto-leva-milhares-as-ruas-de-santa-maria/
 http://www.arazao.com.br/noticia/80296/dce-questiona-legitimidade-de-assembleia/
 https://www.facebook.com/dcedaufsm/photos/a.197800343623396.45221.170591199677644/1236797379723682/?type=3&theater

Nota de Apoio do Coletivo Outros Outubros Virão à Greve Estudantil e à Ocupação da EMBAP e da FAP – Campus I e II de Curitiba da UNESPAR

05/11/2016

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Na Assembleia dos Estudantes da Fap e da Embap desta quinta-feira (03/11/16) foi deliberado por greve estudantil e ocupação dos seus respectivos locais de estudo.

A Faculdade de Artes do Paraná e a Escola de Música e Belas Artes do Paraná são campus com cursos especificamente de arte e formam não somente artistas mas também professores de arte .

É inevitável a incerteza sobre nosso futuro quando olhamos para as medidas impostas pelo governo como:

1) a PEC 241 (atual PEC 55) que prevê o congelamento de gastos federais em áreas vitais como saúde e educação por 20 anos;

2) a Reforma do Ensino Médio (MP 746/2016) que precariza ainda mais condições de trabalho e de ensino públicos, tirando a obrigatoriedade do ensino da Arte, da Filosofia, da Sociologia e da Educação Física do currículo, tornando o ensino tecnicista (apenas voltado para a formação de força de trabalho para o mercado) dentre outros aspectos;

3) a verba de custeio irrisória repassada pelo governo do Estado para manutenção da UNESPAR, que foi de apenas R$ 4,8 milhões¹, sendo que a universidade possui dívidas que até o término do ano atingirão a casa dos R$ 3,6 milhões já com suplementação orçamentária da Casa Civil e aplicação de fundo privado (captação de dinheiro através do vestibular, taxas e multas).

Assim, com a exclusão da disciplina de arte da base curricular comum do ensino médio (pela MP 746 conforme mencionado acima) não sabemos se haverá local de trabalho para nós, estudantes de licenciatura em artes, após formados; com o congelamento de gastos por 20 anos da PEC 55 (ex-PEC 241) estaremos ameaçados com a suspensão da realização de concursos públicos e do pagamento de reajustes e progressões nas carreiras², além de não sabermos se haverá universidade no próximo mês, pois não temos a verba mínima necessária para continuar funcionando.

A Pró-reitoria de Administração e Finanças da Universidade fez uma proposta no mínimo vergonhosa para tentar fechar o ano com algum ‘superávit’, e é muito óbvio que tais medidas aos poucos deixarão o ambiente acadêmico cada vez mais precário e vulnerável. Propôs acabar com as 29 bolsas permanência que os estudantes conquistaram com muita luta na Greve de 2015, cortar 50% dos estagiários (sobrecarregando ainda mais de trabalho os servidores, e gerando desemprego), a redução nos gastos com materiais de consumo, diárias, passagens e outros serviços, e por fim a renegociação de várias dívidas.

Visto esse cenário, nós estudantes de artes e licenciaturas nos colocamos firmemente em luta, utilizando instrumentos construídos historicamente pelos trabalhadores e por nós estudantes (já também trabalhadores ou trabalhadores em formação), que são a greve e a ocupação, para pressionar o governo a revogar essas medidas e fazer coro ao movimento dos secundaristas do Paraná, que vem ganhando força nacional nas últimas semanas.

O Coletivo Outros Outubros Virão se coloca em total apoio a esse movimento compreendendo todas as implicações das medidas tomadas via Governo Federal, Estadual e Reitoria para uma suposta saída à crise econômica, que nada mais fazem que o desmonte dos serviços e da educação pública, além de criar condições para a privatização das escolas e universidades, que vem acontecendo pelas beiradas nos últimos 14 anos de governo PT e agora com o presidente interino (PMDB) se aprofunda escancaradamente.


¹ http://praf.unespar.edu.br/noticias/divulgacao-da-programacao-orcamentaria-do-primeiro-semestre-da-unespar
² http://www.sismmac.org.br/noticias/10/alem-dos-muros-da-escola/5187/apos-aprovacao-na-camara-luta-contra-pec-241-continuara-no-senado
³  A maior parte das e dos estudantes já trabalha para se manter na universidade que conta com pouquíssimas medidas de assistência estudantil, o corte nas bolsas expressa evidentemente o total descaso da reitoria com a situação de vulnerabilidade social dos estudantes, e reafirma ainda mais a elitização de quem acessa o ensino superior.

Referências
http://www.unespar.edu.br/institucional/atos-oficiais/cad/material-para-reuniao/4a-sessao-do-cad-11-10-2016-guatupe/10-processo-14-277-768-1_minuta_resposta

http://www.sismmac.org.br/noticias/10/alem-dos-muros-da-escola/5187/apos-aprovacao-na-camara-luta-contra-pec-241-continuara-no-senado

https://outrosoutubrosvirao.wordpress.com/2016/10/15/no-dia-do-professor-resistir-aos-ataques-a-educacao/

http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/aprovada-na-camara-pec-241-vira-pec-55-no-senado.html

http://praf.unespar.edu.br/noticias/divulgacao-da-programacao-orcamentaria-do-primeiro-semestre-da-unespar

 


Nota pública sobre a expulsão de militante da UFPR

01/11/2016

O coletivo Outros Outubros Virão vem, através desta nota, publicizar seu posicionamento e autocrítica acerca de posturas de um de seus militantes do curso de Psicologia da UFPR, que culmina na expulsão do militante em questão. Tal fato não é resultado de uma atitude isolada, pontual, mas, sim, de um longo histórico de ações machistas, de uma militância autocentrada e individualizada e de problemas no processo de crítica, autocrítica e em seguir deliberações coletivas. Essas questões foram colocadas em diversos espaços de militância, tanto externos quanto internos ao coletivo, e que se dirigiam a militantes (independentes e organizadas), no âmbito de relações afetivo-sexuais, relações de militância, etc. Além disso, é importante ponderar que esse histórico não se deu sem a tentativa constante e ativa do coletivo de pautar avanços, num âmbito teórico-prático, tendo o militante sido pautado diversas vezes para balanço de suas ações. Entretanto, a postura adotada em todos esses processos de crítica e autocrítica era bastante contraproducente, havendo a falta de responsabilização individual pela superação coletiva da opressão e de uma militância organizada.

Tendo compreensão da dificuldade que nós, enquanto coletivo do ME, e mesmo da esquerda como um todo, encontramos a respeito de como lidar com questões de opressão na prática, não escrevemos essa nota com o intuito de criar um manual de regras em relação às práticas machistas ou opressoras dentro da esquerda. Tampouco temos todas as respostas a essas questões e consideramos saudável afirmar isso publicamente, nos colocando abertos ao debate, críticas e sugestões de organizações ou militantes não organizados que queiram contribuir com esse processo delicado e difícil. Assim sendo, esse texto tem como objetivo expor nosso posicionamento acerca dessa expulsão, que por sua vez, foi construído com base nas discussões de fundo que nos orientam teórica e praticamente, inclusive as, ainda incipientes, discussões sobre gênero e opressões que viemos realizando dentro do coletivo.

Faz-se necessário pontuar que nós, do OOV, não temos um longo  histórico de construção do debate de opressões. Por muito tempo, negamos a necessidade do debate, sendo considerado não central para a construção do projeto socialista de sociedade. Contudo, após um processo de severo balanço e autocrítica, nos colocamos há algum tempo na construção do debate, tanto internamente, quanto externamente em nossos locais de atuação. Para nós, é crucial que o debate seja feito a partir do método marxista e que tenha em sua centralidade a classe trabalhadora, ou seja, que tenha enquanto objetivo a contribuição teórica e prática para a construção da emancipação do proletariado em sua totalidade, que é composto por mulheres, homens, LGBTs, pretos, héteros, etc.

Entendemos, portanto, que as opressões são históricas na sociedade e cumprem um papel enquanto agravante da exploração dos trabalhadores, estando enraizadas nas construções sociais e históricas das mulheres e homens de nossa classe. O fim da opressão não virá apenas com a ruptura da sociedade de classes, tampouco será possível derrotá-la enquanto estiver vigente um sistema que se utiliza desta para se manter funcionando. Nesse sentido, considerando a matriz teórica que nos orienta na construção do debate, é importante ter a perspectiva de que a opressão não parte de um indivíduo isoladamente, mas, sim, de algo muito mais complexo que é histórico e socialmente construído nos indivíduos desse momento histórico. Reduzir a luta contra as opressões à culpabilização de indivíduos significa perdermos o foco do nosso real inimigo que é o sistema capitalista e sua sociedade de classes. No entanto, afirmamos hoje: dizer isso não significa que nos ausentamos de combater ações machistas, LGBTfóbicas e racistas, inclusive nas posturas e comportamentos individuais de nossos militantes. Para que isso seja possível, faz-se necessária a construção de práticas e ações que nos orientem na construção coletiva de espaços com cada vez menos reprodução das opressões, sem cairmos em um ideal inexistente de espaços puros e livres de qualquer tipo de relação de opressão e controle. Ao mesmo tempo em que nesses casos, priorizamos a participação e desenvolvimento político das militantes mulheres, dado que o machismo cerceia as mulheres de espaços políticos e públicos, papéis esses que historicamente são designados a homens.

Dessa forma, acreditamos que o debate e o combate às opressões não devem se restringir às oprimidas e oprimidos, mas que deve ser feito também por aqueles que são potencialmente opressores. Quanto às discussões acerca do combate ao machismo, em específico, é essencial que os homens participem de sua construção. Entendemos que as práticas machistas devem ser denunciadas, porém não com o objetivo de rechaçar o opressor, mas, sim, o de avançar na prática cotidiana vislumbrando uma mudança no indivíduo e na sociedade, mesmo entendendo os limites impostos por ela mesma, pautando a reeducação do opressor. A tática do escracho, com exposição do opressor, não contribui para potencializar o avanço do combate às opressões, pois centra suas ações em apenas afastar o envolvido, e não se propõe minimamente a travar um processo pedagógico que construa a superação de práticas opressoras. Com o escracho, afastamos o “problema”, limpamos a superfície, mas sem perspectiva de construção coletiva com o todo da classe, e, portanto, sem o avanço real do todo da classe trabalhadora. Tal análise baliza nossa decisão de não expor o nome do militante em questão.

Esse processo de reeducação pode envolver diversas ações e debates, na tentativa de nos responsabilizarmos coletivamente pelas atitudes e reeducação dos integrantes do coletivo. Essa reeducação foi pautada pelo coletivo ao militante diversas vezes, em conversas de crítica e balanço, formação política, etc. Entretanto, observamos com o passar do tempo pouquíssimos ou nenhum avanço, resultados potencializados pela postura do militante perante as críticas, apresentando uma militância que não corresponde com nosso formato organizativo, desrespeitando decisões coletivas, e pouco disposto a autocríticas sinceras e resolutivas. Tal avaliação é construída de acordo com nossa organização interna, a partir do centralismo democrático, em que os posicionamentos são tirados em debate, e a posição do coletivo reflete a posição da maioria, visando uma ação unitária e mais efetiva na realidade. As ações do militante em questão questionavam essa organização, na medida em que se descentralizavam da linha política do coletivo e colocavam em cheque nossa intervenção em unidade sobre a realidade. Importante também evidenciar que quanto à descentralização da linha política não significa que cerceamos as divergências internas, as quais são cruciais para a potencialização e funcionamento do centralismo democrático e que se expressa em ações práticas e teóricas mais coesas em nossa intervenção na realidade. Desse modo, entendemos também que o processo pedagógico não é construído apenas com mediações fraternas, mas em últimos casos pode se utilizar de medidas punitivas organizadas para contribuir com o processo de autocrítica e superação.

De acordo com exposto acima, consideramos que a expulsão do militante, apesar de difícil e delicada, é a única alternativa que nos resta após tantas tentativas frustradas em lidar com essas questões internamente no coletivo. Pautamos a expulsão como última alternativa em tentar produzir reflexões e mudanças de postura no companheiro, e nos colocamos abertos a um acompanhamento do militante, mesmo após sua saída do coletivo. Assumimos com maturidade política nossas limitações em continuar lidando com o caso internamente. Esperamos que seja efetivo e que possamos reencontrá-lo no futuro entre as fileiras daqueles que estão dispostos a construir uma sociedade livre de toda a exploração e opressão!


No Dia do Professor, resistir aos ataques à Educação!

15/10/2016

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Nesses últimos dias temos visto a explosão de ocupações em escolas estaduais no Paraná e em outros estados, mobilizações que têm como pauta principal a suspensão da MP 746/2016, que realiza a reforma no ensino médio. Essa reforma faz parte de um conjunto de medidas que atacam a classe trabalhadora, como a reforma trabalhista, da previdência, teto para gastos públicos, entre outras; medidas que já vinham sendo discutidas e aplicadas durante o governo Dilma, e que têm sido pautadas a toque de caixa pelo recém-empossado governo Temer. Medidas que atacam direitos que foram conquistados com muito suor, sangue e luta de milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Esses ataques são uma expressão de um movimento mais amplo da conjuntura: com a aproximação inevitável da crise do capitalismo, e fiel à política que escolheu de ajuste fiscal, a burguesia brasileira, através de seu fiel instrumento (o governo Temer) tenta sugar até a última gota de suor dos trabalhadores, sempre com a intenção de extrair mais trabalho e pagar menos salário, retirar nossos direitos, aumentar a precarização e o desemprego. Para isso, estão dispostos a aumentar violentamente a repressão, como já se observa, por exemplo, na reintegração de posse realizada no dia 13 de Outubro na escola Newton Pimenta, de Campinas-SP. Porém, por mais que eles sejam fortes, são poucos. Nós, trabalhadores e estudantes (trabalhadores em formação), somos muitos, e é em nossa organização que temos a nossa maior arma pra lutar contra a opressão.

Dentro desses ataques, a Educação tem sido especialmente afetada. Além do teto para gastos públicos (PEC241/2016), que pretende congelar os gastos federais por um período de 20 anos, impedindo novos investimentos em áreas vitais para a população trabalhadora, como saúde e educação, outras medidas têm chamado a atenção, como a Reforma do Ensino Médio, e o projeto de lei “Escola Sem Partido” (PL867/2015), proposto pela Câmara Federal no ano passado.

Embora a grande mídia esteja atacando os estudantes de forma baixa, tentando deslegitimar suas reivindicações com denúncias mentirosas e entrevistas manipuladas [1], fica evidente para estes a inviabilidade de não se movimentarem contra esses ataques do capital à educação pública. A reforma do ensino médio imposta por Temer se caracteriza por medidas como a retirada da obrigatoriedade das matérias de artes, filosofia, ciências sociais e educação física do currículo, através do esquema de “optatórias obrigativas”, porque, segundo o texto da Medida Provisória, passa a serem obrigatórias apenas as matérias de língua portuguesa e de matemática, e a partir da metade do segundo ano do Ensino Médio o estudante terá que escolher entre cinco áreas de conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Naturais, Ciências Humanas ou Formação Técnica e Profissional). O que acontece é que nem todas as escolas têm capacidade de oferecer as cinco áreas, o que levaria as escolas a oferecerem somente uma. Assim, para muitos estudantes de escola pública, só restaria uma única opção, normalmente a do ensino profissionalizante. E, mesmo para aqueles cujas escolas oferecem as cinco, restará a realidade de uma profunda chantagem: eles serão quase que obrigados a escolher aquela área mais cobrada no vestibular (no caso de quererem cursar a universidade), ou ainda, a escolher o ensino profissionalizante, para estarem mais aptos a trabalhar, se tiverem perdido as esperanças de ingressar no Ensino Superior. Assim, o funil do vestibular se acirra ainda mais. Ou seja: o que essa medida faz é impedir que os estudantes tenham acesso a uma parcela considerável do conhecimento humano, fragmentando-o ainda mais, e escancarando que nesta sociedade capitalista a educação é convertida em mais uma mercadoria e sua função ao invés de fazer com que o estudante se aproprie com qualidade do conhecimento produzido pela humanidade, é limitar o ensino do quê, e de quanto cada um deve saber para manter a sociedade tal como está. [2]

Como se não bastasse, a MP ainda aumenta a carga horária anual do Ensino Médio de 800 para 1.400 horas. Ou seja, passará a ser oferecido o ensino integral. Embora isso possa parecer um ponto positivo, a realidade é que muitos dos estudantes secundaristas já trabalham e estudam. Para esses trabalhadores em formação, o trabalho não é um simples “bico”, mas é necessário para ajudar em casa. Não podendo atender à escola em horário integral, a consequência para esses estudantes será a “expulsão voluntária” da escola, reduzindo seus períodos de estudo e tendo seus sonhos reduzidos à simples rotina da exploração capitalista. Além disso – como a própria mídia burguesa reconhece -, a maioria das escolas no Brasil não têm condições de oferecer um ensino em período integral. No entanto, isto não é algo positivo como a mídia diz. A implicação real da falta de verbas é a implementação de um ensino integral que não se dará totalmente na escola. O texto da MP implica [Art.36, §11] que o ensino integral, se implementado, não necessariamente será de total responsabilidade da instituição. Abrindo espaço para inserção de empresas com interesses privados, dentre estas OSs (Organizações Sociais, de caráter público-privado). Com a Reforma do Ensino Médio acontecendo ao mesmo tempo que a PEC 241, que limita os gastos com educação, se vê de cara que a estratégia principal do novo governo é o sucateamento de serviços públicos com a finalidade de viabilizar uma privatização “salvadora”, que muitas vezes se dá por meio de iniciativas público-privadas. [3]

A “cereja” desse bolo azedo e estragado que impuseram à classe trabalhadora é que a reforma também precariza o trabalho dos professores. Primeiro porque permite a contratação sem concurso público, via Organização Social – o que significa menor salário e menos direitos. Com isso, também cria uma competição acirrada entre os professores, que passarão a disputar as vagas de emprego nas escolas que pagam melhor, e não a lutar em conjunto por melhorias nos salários e direitos. Além disso, também postula, para os professores do ensino técnico e profissionalizante, que não é necessário terem diploma de licenciatura, apenas um “notório saber” nessa área. Com isso, desprezam totalmente a necessidade de uma formação pedagógica dos professores, além de aumentar a demanda pela vaga, reduzindo assim os salários, precarizando e retirando direitos. Com isso, também se instalará uma chantagem sobre os professores com diploma para que aceitem a retirada de direitos, usando-se como exemplo as condições de trabalho dos professores sem diploma.

Esses dois ataques – a Reforma do Ensino Médio e a PEC do Teto – se juntam ainda a um terceiro, que é o Projeto de Lei Escola Sem Partido, que está correndo, ao mesmo tempo, no Congresso Nacional e em diversas câmaras de vereadores de várias cidades do país. O projeto afirma, basicamente, o seguinte:

  • é proibido que um professor “doutrine” o seu estudante (o que eles consideram doutrinação é simplesmente a realização de debates críticos, como discussões sobre a ditadura militar ou a violência policial atual);

  • é proibido que um professor ensine ao estudante algo que vá contra a orientação moral de seus pais (ou seja, se os pais são cristãos, não se deve ensinar sobre religiões afro-brasileiras! Isso é algo que já acontece, mas que seria intensificado com esse projeto, o que escancara quão racista é essa medida);

  • é proibido que um professor ensine “ideologia de gênero” (ou seja, é proibido que um professor ensine aos seus alunos que os gêneros masculino/feminino são construções sociais históricas, e que a relação desigual que existe entre homens e mulheres não é natural nem muito menos irreversível);

  • os professores podem ser acusados pelos pais de “doutrinadores” via denúncias anônimas, que os levariam a ser demitidos do cargo.

Nós, do Outubros, entendemos que a educação numa sociedade de classes é mesmo ideológica, mas não por causa disso. Ela é ideológica porque suas duas principais funções são ensinar habilidades técnicas aos estudantes que os tornem aptos a trabalhar (por isso dizemos que os estudantes são trabalhadores em formação) e ensinar a visão de mundo da classe dominante, a ideologia burguesa. Isso se manifesta, por exemplo, nas carteiras organizadas como numa fábrica, no fato de sermos ensinados a sermos “cidadãos” e a cada 2 anos irmos votar, etc. Nós entendemos que existe uma certa abertura para o “pensamento crítico” dentro das escolas, mas esse pensamento crítico é totalmente de acordo com a ideologia dominante, não ultrapassando certos limites. No entanto, é exatamente esse pensamento crítico que está sendo taxado de “doutrinação comunista” pela bancada evangélica! Por isso, defendemos o direito dos estudantes a um ensino crítico, mas entendemos também, que os trabalhadores em formação precisam ir além desse pensamento e precisam entrar em contato com outro tipo de educação (uma educação revolucionária, de classe) se estamos pensando na transformação da sociedade atual, na libertação da humanidade.

Por isso tudo, convocamos todos os trabalhadores da educação e todos os trabalhadores em formação (estudantes) a se organizarem contra essas medidas! A ocupação de escolas em São Paulo, no ano passado, já mostrou que é possível barrar as medidas do capital. Em algumas cidades, a PL da Escola Sem Partido já foi derrotada. Por isso, é necessário que nos organizemos, em cada local de estudo e de trabalho, para barrar esses ataques. Não deixaremos passar! É preciso ampliar o movimento de ocupações de escola, organizar greves de professores, grandes atos, passeatas, e radicalizar a luta até que nossos direitos sejam assegurados. O presente é assustador, mas só a luta é capaz de nos acender as luzes da esperança.

Todo apoio às ocupações de escolas!

POR NENHUM DIREITO A MENOS!

[1]link gazeta do povo http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/6-fatos-que-os-estudantes-das-ocupacoes-nao-sabem-ezs9mfd4wq6k5lmhxt5cq913k

[2] Ver a tese do Outubros para o Congresso dos Estudantes da UFPR de 2011: https://outrosoutubrosvirao.wordpress.com/2011/11/03/a-proposito-das-palavras-de-ordem-por-uma-universidade-para-a-classe-trabalhadora/

[3] Vídeo do movimento Escola sem Empresa, sobre a privatização do ensino: https://www.youtube.com/watch?v=vYISlOShlCU


SOLIDARIEDADE AO CAMARADA RENATO: A JUVENTUDE NEGRA TEM A VOZ ATIVA

30/08/2016

Na última quinta-feira, 25 de agosto de 2016, aconteceu no Largo da Ordem em Curitiba mais um caso de violência policial contra a juventude da periferia que ousa ocupar o centro da cidade.

O militante Renato (candidato a vereador pelo PSOL) e dois amigos foram enquadrados de forma truculenta e violenta pela Guarda Municipal, tendo sido o Renato preso, espancado e humilhado de diversas formas. Sem haver nenhuma acusação justificada, nenhum crime, configurando puro abuso de autoridade. O Renato é preto, pobre, e estava ouvindo rap com seus amigos no Largo da Ordem. Existir e ser preto com orgulho parece ser algo considerado crime em nossa sociedade.

CURITIBA, A CIDADE MODELO (DO RACISMO)

Tem sido cada vez mais frequentes as batidas policiais na região do Largo da Ordem, em especial desde que voltaram a se articular eventos de hip-hop pela região.

Vivemos em uma cidade marcada pela higienização social. A periferia fica escondida, e a polícia está aí pra demarcar onde é e onde não é o lugar de preto e de pobre. O centro e bairros nobres ao redor são “limpados”, pra formar a ilusão da cidade de cartão-postal pra gringo ver. Mas quem mora nas quebradas mais afastadas do centro, sabe que a realidade da cidade e da maioria da população trabalhadora é bem diferente.

A MIRA DA POLÍCIA TEM COR E CLASSE SOCIAL

A polícia enxerga na população negra o perfil de marginal padrão. O preto é suspeito sempre, pelo simples fato de ser preto. Isso é fruto do racismo institucional do Estado e da polícia, seu braço armado. Esse pensamento vem desde o próprio surgimento da polícia no Brasil.

O primeiro corpo policial do Brasil foi a PM do Rio de Janeiro. Seu brasão possui dois ramos: de cana-de-açúcar e de café.

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Essas eram as duas grandes culturas e a fonte de lucro da elite escravocrata do Rio de Janeiro. A polícia desde seu surgimento surge como braço armado pra garantir que preto se coloque “no seu lugar”, ou seja, se sujeite à exploração e a todo tipo de humilhação sem reclamar.

O Estado brasileiro, desde o surgimento do país, cumpre a função de manter as classes dominantes no poder político e econômico da sociedade. Seja através das leis, ou através do cassetete da polícia.

A polícia está aí para garantir que a classe trabalhadora fique submissa, seja através da violência nas periferias, seja combatendo as greves da classe trabalhadora, ou qualquer tipo de manifestação que questione a ordem (inclusive o hip hop).

A JUVENTUDE NEGRA TEM A VOZ ATIVA

Não podemos aceitar de braços cruzados que a chacina do povo preto trabalhador continue a acontecer.

Somos Amarildos. Somos Cláudias. Somos Renatos. Somos a maioria da população, e devemos nos unir pra lutar por melhores condições de vida. Romper com a lógica de que todo preto é marginal, de que o seu lugar é nas favelas e nos bolsões de pobreza. O compromisso com a criação de uma nova sociedade livre do racismo, da exploração, e de toda forma de opressão é um compromisso que deve ser assumido por toda a classe trabalhadora que luta pela sua emancipação e pela construção de uma sociedade justa e igualitária.

A polícia nos desumaniza e quer nos convencer que somos monstros. Mas não somos monstros. A luta contra o racismo é a luta pela nossa humanidade.

Devemos resgatar a memória de todos os pretos e pretas que vieram antes de nós e deram suas vidas pra podermos hoje continuar lutando pela nossa emancipação e a emancipação do conjunto de toda a classe trabalhadora oprimida e explorada.

Querem colocar o povo preto num papel de passividade, e apagar a brava história de luta e resistência que temos construído por todo mundo. Não vão conseguir!

Palmares vive! Black Panthers vive! A revolução haitiana vive! Viva aos escravos rebeldes!

PODER PARA O POVO PRETO!

FORÇA AO CAMARADA RENATO!

QUANDO UM PRETO AVANÇA, NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

FIRME!

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