Todo o apoio à greve dos técnicos administrativos em educação!

10/05/2014

Os estudantes das universidades federais já perceberam que estamos passando por um momento diferente na nossa universidade. Percebemos isso quando fomos almoçar no RU e ele estava fechado, quando fomos à biblioteca e ela estava fechada, quando fomos a nossa coordenação de curso e ela estava fechada, quando tivemos problema de acesso aos benefícios de assistência estudantil… Nesses momentos, os estudantes e a comunidade acadêmica lembram dessa categoria que passa sempre despercebida no cotidiano: os técnicos-administrativos.

Mais do que notar a importância desses trabalhadores na universidade, o momento de greve é importante para pensarmos o que tudo isso significa. Por que tantos trabalhadores “escolhem” o instrumento da greve e não outro? Por que a Reitoria lança nota dizendo que acha a greve legítima, mas depois abre o RU contra a decisão dos técnicos? O que isso tem a ver com o resto da sociedade, com as grandes empresas que financiam a Copa? Por que isso tudo tá acontecendo justo em 2014? São muitas perguntas que pipocam em nossas cabeças e que são importantes para não aceitarmos tudo calados, sem questionar, sem refletir, para que possamos discutir coletivamente e agir na prática, nos posicionando de um lado disso tudo.

Vemos que a Reitoria tem usado todas as formas que lhe cabe para deslegitimar o movimento dos técnicos e dos estudantes. Como na UFPR em que a reitoria deu sanduíche “solidário” de pão e queijo quando exigíamos marmitas e vales, abriu o RU com terceirizados, e que em geral tem enrolado nas negociações e não nos dando respostas, ao mesmo tempo em que foi no palco da cervejada do C7-UFPR (grupo dos estudantes de engenharia) dizer que abriria o RU, foi à “Justiça” tornar a greve ilegal no Hospital das Clinicas de Curitiba e tantos outros exemplos.

Há pouco tempo tivemos outras duas importantes greves na Educação. Em 2011, as três categorias da UFPR (técnicos, docentes e estudantes) entraram em greve por pautas locais de melhores condições de trabalho e ensino. Naquele momento a Reitoria também se negou a negociar por algumas semanas, fingindo não existir greve, ignorando os trabalhadores. Foi só com a ocupação da Reitoria pelos estudantes que conseguimos negociar nossas pautas e conquistar, por exemplo, o café da manhã no RU e a abertura deste nos finais de semana e feriados. Em 2012, ocorreu a maior greve do Serviço Público Federal dos últimos anos, que na Educação se estendeu por 4 meses sem negociações eficientes. Nessa greve, o Governo (e suas Reitorias) usava de seus braços dentro dos movimentos para enfraquecer e deslegitimar: negociava com aqueles que estavam do seu lado e não com o movimento grevista (a exemplo, negociações com a UNE e com o PROIFES – Federação dos Sindicatos dos Professores que está ao lado do governo). Vimos com isso, que “o inimigo joga”: o Governo e a Reitoria não ficam “neutros” no processo, mas se colocam contra a movimentação, defendendo seus próprios interesses, seja de forma velada ou explícita.

Mas, quais são os interesses do Governo? E quais são os interesses dos estudantes, técnicos e professores? Essas duas questões são fundamentais para entender o cenário que vivenciamos, então vamos pegar alguns exemplos práticos que nos ajudarão. Nas eleições de 2010, os principais financiadores dos partidos políticos concentram-se em 15 grandes empresas, como construtoras, siderúrgicas e grupos financeiros (Itaú, Gerdau, Camargo Corrêa, entre outras). Essas empresas financiaram com maior peso os três maiores partidos (PT, PMDB e PSDB). Podemos tirar disso que não existem diferenças profundas entre esses grupos políticos: todos foram financiados pelos empresários e, portanto, todos estão destinados a servir aos seus interesses.

Para aprofundar um pouco mais nossa análise, refletimos sobre o Estado, que é o instrumento utilizado pelo governo para defender os interesses dos grandes empresários e, para isso, pensamos em seus dois pilares principais: as leis e as forças armadas/polícia. A legislação defende a manutenção da propriedade privada e dá ao Estado o poder de usar a violência para protegê-la. Quando vamos às ruas exigir melhorias na nossa condição de vida, como foi em 2013 com a pauta do transporte público, a polícia é acionada com o intuito de reprimir qualquer ato que possa significar uma alteração na ordem das coisas.

Por que o Estado quer aumentar a tarifa e usa a repressão para conseguir isso? Porque está do lado das empresas privadas de transporte e precisa garantir seus lucros. Por que o Estado aprovou leis especiais durante a Copa, que permitem classificar manifestações como terrorismo e por que já vemos tanta repressão policial nos atos contra a Copa? Porque o Estado precisa defender aqueles que lucram com tudo isso!

Assim, entendemos que nessa sociedade existe um grupo de pessoas que é proprietária das fábricas, das terras, dos bancos, e de todos os meios que são utilizados para produzir a vida. Já vimos também que o Estado, na prática, serve aos interesses desse grupo de pessoas, protegendo sua propriedade sobre os meios de produção. Chamamos a esse grupo de burguesia, pois têm sua origem na formação dos burgos com o renascimento comercial.

Mas, por que os interesses da burguesia são opostos aos nossos? Nós, trabalhadores e estudantes, não possuímos grandes empresas, logo nossas alternativas de sobrevivência estão entre o trabalho assalariado e a tentativa de abrir um negócio, que não vamos considerar aqui por saber o quão distante isso é para a maioria das pessoas que, mesmo se conseguissem virar microempresárias estariam fadadas a falência pela concorrência com os grandes, restando-lhes novamente se assalariar. Então, o que nos sobra é vender a única coisa que possuímos em troca de um salário: a nossa capacidade para trabalhar. O problema disso é que a maior parte do valor gerado pelo nosso trabalho fica para os donos dos meios de produção, sendo o salário somente um valor capaz de suprir nossas necessidades mínimas.

Nós, estudantes, não estamos fora disso tudo, temos um papel nessa sociedade. Entendemos que estamos na universidade para qualificar nossa força de trabalho e somos, portanto, trabalhadores em formação, que ou já estão inseridos no mercado de trabalho ou que, após formados, terão que procurar um emprego para se sustentar. Consideramos que a universidade é policlassista, ou seja, nela podem estudar filhos de burgueses ou de pequenos burgueses, por exemplo, mas sabemos que se trata de uma minoria (é só olharmos quantos de nós tem dificuldades para se manter na universidade).

Programas como o REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades) têm como objetivo aumentar o número de vagas nas universidades, mas sem se preocupar com a qualidade do ensino, mostrando que a tendência das universidades públicas é se fixar cada vez mais como uma fábrica de formação de força de trabalho, com um ensino tecnicista. Disso vêm os vários problemas que encontramos nas universidades : filas imensas nos R.U.s, falta de livros, falta de professores, falta de estrutura física etc. E, quantos não passam pela contradição de ter que gastar com transporte, xerox, moradia enquanto não têm acesso à assistência estudantil de qualidade? Não ter acesso à assistência estudantil significa, para os calouros, ter que esperar até a metade do ano para receber uma bolsa ou ter que pedir dinheiro emprestado e se endividar devido ao atraso ou ao valor baixo dos auxílios. Quantos não podem fazer cursos integrais, pois têm que vender sua força de trabalho para conseguir qualificá-la para depois vendê-la novamente? Isso tudo acontece porque nossa qualidade de ensino não é prioridade para o Estado, se fosse, os gastos bilionários com a Copa seriam revertidos em educação e em outros serviços públicos precários, como saúde e transporte.

Pelos mesmos motivos, os técnico-administrativos passam por diversos problemas e lutam por melhorias na carreira, pela revogação da EBSERH (empresa privada que administraria os Hospitais Universitários), pelas creches, pela não demissão dos funcionários das fundações de apoio (FUNPAR, FAHERG). Por isso é importante nós, trabalhadores em formação, estarmos unidos com os trabalhadores da universidade, pois estamos do mesmo lado, pertencemos à classe trabalhadora e sofremos de formas diferentes com o mesmo problema.

E por que greve?

Em momentos como esse costumamos nos perguntar o que faz os trabalhadores lançarem mão da greve enquanto um instrumento de luta. A primeira questão importante é que essa forma é coletiva. Não são alguns poucos que decidem, que organizam e que participam de um processo grevista, mas deve haver decisão coletiva, espaços de debate e deliberação democráticos. Além disso, faz greve aquele cujo trabalho interfere na produção da vida em sociedade. Se pensarmos em outras categorias de trabalhadores para além da Educação, percebemos isso mais explicitamente. Quando um setor de trabalhadores da Petrobrás para, por exemplo, são milhares de reais que deixam de ser acumulados pelos empresários por dia, e por isso, a negociação tende a ser rápida e efetiva.

Na Educação, o resultado do trabalho é muito mais abstrato (formação da força de trabalho, desenvolvimento de conhecimento e tecnologia) e também por isso – e pelo fato de o Estado não investir neste setor – a greve tem impactos menos expressivos na economia. Continua, porém, sendo a única forma que os trabalhadores têm para negociar e pressionar o Governo por melhores condições de vida. Ou ainda, de garantir certos direitos que já foram conquistados, mas que, se não houver luta ativa, são retirados autoritariamente. Um exemplo disso é a (não) adesão à EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) que na prática representa um retrocesso aos direitos dos trabalhadores, já que gere um hospital-escola público por meio de uma lógica privada: produtividade, metas, ameaças devido a instabilidade no trabalho, etc. Por meio de cartas, ações individuais isoladas, ou de negociações sem movimentação efetiva, os trabalhadores não teriam conseguido barrar essa adesão aqui. Só pudemos fazer isso, porque havia um movimento forte e organizado o suficiente nos anos de 2011 e 2012 que pressionou e exigiu a não adesão. Em vários lugares do país, essa decisão foi tomada a portas fechadas nos gabinetes da Reitoria, passando por cima e retirando diversos avanços dos trabalhadores destes locais.

A característica mais importante do instrumento de greve, então, nos parece ser o que ela representa: quem produz a vida nessa sociedade cruza os braços e exige do seu patrão melhores condições de trabalho e de vida. Ela exige ação direta dos trabalhadores e não a mera delegação do poder a alguns representantes. Exige que quem participa entenda do que se trata, pense, discuta, decida, se posicione. Explicita a divisão social que falamos acima, mostra de que lado da luta estão os patrões e governos.

Diferente de ações em que pensamos individualmente na melhor resposta individual, a mobilização por meio de assembleias, atos nas ruas, greves e paralisações são pensadas coletivamente. Ações como abaixo-assinados, votação online, negociação por representantes que se afastam das bases, entre outros são, portanto, bastante limitadas e dificilmente obtém conquistas e avanços reais, tanto na conquista de pautas quanto na organização dos trabalhadores.

Por que essa greve está diferente das últimas que tivemos?

Quem viveu ou conhece os movimentos grevistas de 2011 e 12 percebe a diferença com o movimento que temos hoje. Avaliamos que isso se dá por diversos motivos, que – se não forem explicitados e discutidos – acabam se reduzindo erroneamente a “a greve não é mais uma forma legítima, devemos pensar em outras”.

Primeiramente, devemos lembrar que o ano em que estamos é atípico: é o ano em que uma das empresas mais poderosas do mundo está olhando e regulando cada movimento no Brasil, a FIFA passou a gerir diversos aspectos no nosso país por conta da realização da Copa do Mundo aqui. Isso quer dizer que qualquer tipo de manifestação e organização dos trabalhadores está sendo duramente reprimida, para que durante o evento tudo seja ainda mais abafado. Vemos que a não negociação e a repressão violenta das mobilizações não se resumem à Educação: os trabalhadores dos Correios tiveram a greve judicializada e não obtiveram conquistas econômicas, por exemplo. Nem por isso esse processo foi uma derrota para a categoria, já que as contradições ficaram mais explícitas e mais trabalhadores se juntaram às lutas.

Além disso, devemos levar em consideração a extensão da greve do Serviço Público Federal que ocorreu em 2012. Mais de quatro meses em greve com o Governo enrolando, sem atender a pauta, ignorando a demanda dos trabalhadores, desgasta qualquer categoria. Na Educação, tanto os professores quanto os técnico-administrativos foram punidos pelos patrões – o governo – pelas greves: calendários absurdos com aulas em janeiro inteiro, falta de feriados e dias de descanso, além da difamação das greves e das conquistas (o governo sempre diz que houve aumento real para os professores, por exemplo, quando sabemos que não houve). Esse processo gerou um desgaste que se reflete na menor adesão à greve e às atividades gerais do movimento neste ano.

Nas greves de 2011 na UFPR e nacionalmente em 2012, com fortes enfrentamentos e unidade na luta entre as três categorias, conquistamos diversas pautas locais, tivemos avanços importantes, ocupações de reitoria, , barrou-se a EBSERH, em várias universidades, etc. Isso, além de fortalecer o lado de cá da luta, também dá elementos para que o inimigo conheça nossas movimentações: a Reitoria da UFPR e a direita organizada das categorias (estudantes, técnicos e professores) também aprendeu com as greves passadas. Aprendeu a nos dar rasteiras, a nos desmobilizar e deslegitimar a greve. Ignora a negociação num dia, aparece com uma pauta rebaixada dias depois (negociação pela marmita e resposta com sanduíches, por exemplo). Ignora a pauta por creche para as mães trabalhadoras e trabalhadoras em formação, mas pauta um encontro de mulheres da UNE para a UFPR, entre tantos outros exemplos. Isso também contribui para um cenário diferente dos outros anos: a Reitoria nos conhecendo melhor e sabendo como nos desmobilizar. Vemos, assim, que mesmo com uma direção do SINDITEST que paute a mobilização da categoria e que se coloque ao lado dos trabalhadores, esse ano existe uma dificuldade de adesão e participação, dificuldade em responder aos ataques da Reitoria e do Governo. Ou ainda com uma direção Petista, que se diz ao lado dos técnicos administrativos. As direções desse tipo dificultam a radicalização das lutas para arrancar ganhos reais frente a reitoria e o governo federal. Jogam do mesmo lado que os gestores, e não os vê enquanto inimigos que buscam sempre acordos rebaixados, ou que fazem vista grossa frente as movimentações dos técnicos.

Temos ainda um elemento conjuntural maior: a falta de inserção da esquerda na classe trabalhadora, no geral. O PT deixou inúmeras perdas para os trabalhadores, enraizou concepções de conciliação e de representatividade, perdeu o horizonte revolucionário, pauta o reformismo e o desenvolvimento nacional. Tudo isso, contribui para que a esquerda tenha também pouca inserção na classe e, portanto, que os movimentos organizados sejam ainda poucos e pequenos nesse momento histórico, apensar do descontentamento da imensa maioria da população com suas condições de vida.

Há ainda o fato de, como já explicamos, quase não haver importância econômica para o Estado (e para a classe dominante internacional) a Educação, ainda mais num país como o Brasil. O descaso e a falta de investimentos neste e outros setores (como saúde, transporte, moradia) explicita também o verdadeiro interesse por trás dos governantes nesta sociedade: o lucro dos donos das empresas e não a educação ou o desenvolvimento dos trabalhadores.

Com tudo isso nos perguntamos o que nós estudantes temos a ver com isso e o que podemos fazer. A nossa condição de estudo e vida está diretamente relacionada com as condições de trabalho dos técnicos-administrativos e professores. A luta das trabalhadoras por creche também é uma pauta dos estudantes para que as estudantes possam estudar e ter onde deixar seus filhos, contratação de mais técnicos e professores melhora nosso ensino, pesquisa e extensão tendo mais trabalhadores para ministrar aulas, cuidar dos laboratórios, desenvolver projetos para melhorar nossa formação, dentre outros exemplos.

Dessa forma, nós, trabalhadores em formação, precisamos nos colocar ao lado dos trabalhadores e da sua luta, entendendo que a luta deles também é nossa, entendendo que em poucos anos seremos nós vendendo nossa força de trabalho por um preço muito abaixo do que vale e seremos nós que teremos que lutar por melhores condições de trabalho e vida. Mas se colocar ao lado dos trabalhadores não é só escrevermos notas em apoio ou falarmos que a luta deles é importante.

Construímos apoio efetivo aos trabalhadores discutindo suas pautas e sua greve com os estudantes, explicando que, mesmo com a falta de serviço essenciais, temos de apoiar os trabalhadores, panfletando esse posicionamento, estando junto nos piquetes e atos, fazendo assembleias para discutir essas condições de vida, dentre outras formas. Por isso devemos continuar apoiando os técnicos na decisão, tirada em assembleia, de fechar alguns serviços essenciais, entendendo que lutar pela sua reabertura quando não existem respostas às suas pautas é se colocar ao lado da Reitoria e do Estado, enfraquecendo a nossa classe e fortalecendo a burguesia. Sabemos, é claro, o quão difícil é para boa parte dos estudantes ficar sem R.U., ou o atraso no recebimento dos benefícios, e por isso é muito difícil entender a importância dessa greve, entender que 900 trabalhadores da Fundação de Apoio do HC-UFPR estão sendo ameaçados de demissão e que o insucesso da greve pode significar, para muitos, perder o emprego, o que também pioraria a situação já precária do HC, que sofre com a falta de funcionários. Devemos pensar para além da nossa necessidade imediata e lembrar que a greve nos traz ganhos, como já falamos diversas vezes: RU aos finais de semana e no café da manhã foram conquistas de greve. Devemos lembrar também que esse instrumento é importante para a formação da consciência dos trabalhadores, temos bons saldos políticos quando o movimento mostra à classe trabalhadora a nossa condição de explorados e o caminho para mudar isso. Por isso seguimos com nosso apoio aos técnico-administrativos e na luta pelas pautas de assistência estudantil!

Anúncios

Força aos trabalhadores e trabalhadores em formação da UEM-Ivaiporã!

27/08/2013

CARTA ABERTA
À COMUNIDADE DO VALE DO IVAÍ E À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA

O Campus Regional do Vale o Ivaí (UEM/CRV) e

a roupa do rei.

Num tempo, não muito distante, um alfaiate se dispôs fazer para o seu rei vestes especiais. Tratava-se de uma roupa que apenas as pessoas inteligentes e astutas poderiam vê-la. Embevecido pela vaidade, o rei aderiu à proposta e encomendou o traje de gala. E, de imediato, ordenou liberação de generosos recursos ao alfaiate.

Findado o prazo acordado entre as partes, o alfaiate, de posse do baú de riquezas que lhe fora dado para a confecção da roupa, procurou sua majestade e após garantir a qualidade no processo de produção dos trajes reforçou sua ponderação: apenas os tolos não compreenderão a beleza desta vestimenta. Ao ver a mesa de trabalho do alfaiate vazia o rei exclamou: “Que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico!”, embora não visse nada além de uma simples mesa. Obviamente, dizer que nada via seria admitir diante de seus súditos sua incapacidade para o reinado. Os nobres ao redor do rei soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do alfaiate, nenhum deles querendo ser identificado como incompetente ou incapaz. Ou ainda, por medo de represarias.

Encantado com os elogios, o rei resolveu marcar uma grande festa na cidade para que ele exibisse as “vestes especiais”. Todos rendiam aplausos à majestade.

Entretanto, desinformada do contexto de produção das vestes, uma criança gritou vigorosamente: “O rei está nu!”. Assustados com a afirmação, os conselheiros do rei tentaram intimidar a criança, soldados buscaram prendê-la; afinal, talvez ela tivesse razão.

Este conto dinamarquês do séc. XIX não está distante da nossa realidade aqui em Ivaiporã. Nossas vestes começaram a ser tecidas no dia 27/03/2006 quando, por meio da portaria 322/2006, a reitoria da nossa universidade instituiu a “Comissão para Elaboração do Projeto de Implementação do Campus da UEM no município de Ivaiporã”.

No ano seguinte a reitoria informou que recebera notificação da Vice-Governadoria que os custos para implantação do referido campus deveriam sair da proposta orçamentária de 2007 da UEM (Oficio 340/06-CTB), além deste montante é solicitado ao governo do estado a viabilização de R$ 11.401.556,00; ambos os recursos garantiriam a continuidade dos trabalhos referentes a implantação do Campus.

Aulas são ministradas provisoriamente no Colégio Estadual Barão do Cerro Azul

Aulas são ministradas provisoriamente no Colégio Estadual Barão do Cerro Azul

Em maio de 2010, o Magnífico Reitor da UEM – através do ato executivo 012/2010 – cria o nosso campus regional; e por meio dos atos executivos seguintes (013, 014, 015/2010) cria os cursos de graduação em Educação Física, História e Serviço Social em Ivaiporã. No mês seguinte, a reitoria encaminha a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) solicitação de liberação de mais recursos, desta feita para garantir o inicio de funcionamento do Campus da UEM (Oficio 125/2010); mais tarde, em 19/07/2010, a reitoria liberaria R$ 250.000,00 para efetivar a reforma do Colégio Estadual Barão de Cerro Azul – local em que provisoriamente seriam atendidas as atividades do Campus até a construção definitiva de suas instalações.

Apenas em 22 de março de 2013, em pomposo evento na sala de convenções da Associação Comercial Industrial e de Serviços de Ivaiporã (Acisi), a ordem de serviço para a construção do primeiro dos sete blocos previstos para o Campus Regional do Vale do Ivaí é assinada na presença de nobres que rendiam sucessivos elogios às vestes do rei.

Hoje, 20 de agosto de 2013, o Campus Regional do Vale do Ivaí da nossa estimada UEM vive em estado de letargia. Nenhuma parede se ergueu, utilizamos provisoriamente uma estrutura precária generosamente cedida por uma escola da cidade.
Todos os cursos funcionam debilmente. Alguns – como no caso de Educação Física – com todos os professores temporários, sem equipamentos para realização de atividades práticas imprescindíveis para a formação profissional do aluno; outros – como no caso de Serviço Social, sem estrutura mínima para garantir ao aluno condições de habilitação ao término do curso. Sem mencionar detalhadamente, a ausência de bibliotecários, servidores de apoio operacional (limpeza, motorista, vigilância, etc) e de um número insuficiente do apoio técnico. Não possuímos armários adequados, lousas, rede de wi-fi e tampouco livros tombados. Alguns de nossos professores precisam comprar caixa de giz para trabalhar, outros conduzem os alunos para uma aula prática na piscina não aquecida mesmo no rigoroso inverno da nossa região.

A despeito disto, ouvimos aplausos, elogios, exaltações ao rei. Concordamos que de fato uma Universidade pública e gratuita é uma conquista para a região; mas por meio deste instrumento denunciamos a ausência de condições mínimas para efetivar um ensino de qualidade. E, foi neste cenário tenebroso, que nossos alunos decidiram gritar: o rei está nú!

Não partilhamos com os interesses que tentam intimidá-los e, por conseguinte silenciá-los. Diante do nosso cenário deplorável, reforçamos: sim, o rei está nú.

Em defesa de uma Universidade Pública, gratuita e de qualidade para o Vale do Ivaí, Professores da Universidade Estadual de Maringá Campus Regional do Vale do Ivaí.

Fonte: http://intersindical.org.br/mobilizacao/noticias2/item/425-trabalhadores-da-uem-pr-em-luta


Moção de apoio aos estudantes de medicina da UFScar

05/04/2013

Os estudantes de medicina da Universidade Federal de São Carlos deflagraram no dia 14 de março de 2013 greve estudantil. O curso de medicina encontra-se em situação alarmante. Alguns dos pontos levantados pelos estudantes são evidências explícitas do descaso com a educação médica: 1) o internato está em péssimas condições (é realizado em 3 cidades diferentes, sendo que os estudantes tem que morar em várias cidades com uma bolsa de R$200,00); 2) a rotatividade dos docentes, segundo os estudantes, é de 50%, o que nos comprova a baixa valorização docente no curso; 3) não há um currículo fixado, fazendo com que algumas turmas vejam inúmeras vezes um conteúdo e deixem de ver inúmeros outros; 4) os estudantes não contam com um Hospital Escola para atuação nos estágios, atuando diretamente na rede pública de saúde. Não há docentes, portanto, na rede, apenas profissionais que recebem uma bolsa de preceptoria. Devido à baixa remuneração e à péssima condição de trabalho, esses preceptores se demitiram em massa, inviabilizando as atividades práticas que ocupam grande parte da carga horária do curso. Segundo os estudantes, “No entanto, esse é apenas uma pequena parte do que está errado no curso”.

A UFScar é um caso em que se expressa claramente a política do Estado para a educação médica. Vivemos em um modelo econômico que tem como objetivo determinante de seu funcionamento a geração de lucro, a apropriação de mais-valia. O Estado, por sua vez, também é um instrumento para garantir esse objetivo.

Os profissionais de saúde, em especial os profissionais médicos, tem uma função importante para o funcionamento da nossa sociedade. Entre outros, garantem que os trabalhadores em geral estejam em condições de saúde mínimas para trabalhar e, portanto, gerar grandes lucros a seus patrões. Depois, como afirma Edson de Godoy Bueno, fundador da Amil, em entrevista à Exame, é uma ótima fonte de lucro. Como são esses os objetivos que determinam a função dos médicos, são também eles que determinam a formação médica.

Nesse contexto, para cumprir esses objetivos, não é fundamental que o médico em formação – o estudante de medicina – apreenda o conhecimento científico que fundamente a prática médica, nem que haja valorização docente ou mesmo que estejam disponíveis campos de estágios propícios para sua formação acadêmica. Só pode ser essa a concepção base para o documento da OMS em que se chega à conclusão de que é necessário “reformular o conceito de ensino em saúde sem vinculá-lo necessariamente a existência de hospitais universitários. Neste último caso haveria abandono da ideia de HU, ainda que pudessem ser contratados hospitais terciários (…)” (1). É o conjunto dessas medidas a síntese do que são, não só o curso de medicina da UFScar, mas os cursos de medicina em nossas universidades, sejam elas públicas ou privadas.

O Coletivo Outros Outubros Virão se coloca em luta com os estudantes grevistas da UFScar contra a precarização do ensino e do sistema de saúde. Considera a greve um instrumento importante de organização para nossas conquistas e coloca-se em luta contra as condições que nos reduz, os trabalhadores, a mercadorias que cumprem o único objetivo de gerar valor e mais valor.

(1) MÉDICI, A.C. Hospitais Universitários: presente, passado e futuro

Jornal O Aurora

04/10/2012

Clique na imagem para ler o jornal


Professores da UFPR deliberam suspensão da greve

13/09/2012

Os professores da Universidade Federal do Paraná reunidos em assembleia decidiram suspender a greve a partir de segunda-feira (17). A discussão ocorreu no Teatro da Reitoria reunindo mais de 400 professores e começou com a explicação da proposta do Comando Nacional de Greve de suspensão unificada da greve, que deveria alcançar os 4 meses de duração na próxima segunda-feira.

Mesmo com as aulas voltando neste dia 17 de setembro, a greve pode voltar a qualquer momento, uma vez que foi suspensa e não finalizada. Em breve, mais informações.

(fonte: medicinaufprnoticias)

%d blogueiros gostam disto: